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18/04/2011

Menos exigência na hora de contratar

 

18/04/2011 :: Edição 080

Agência Estado/BR – 16/04/2011
menos exigência na hora de contratar

Renée Pereira, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – As posições começam a se inverter. Se no passado era o
trabalhador que corria atrás das empresas para conseguir um bom emprego, hoje
são as empresas que fazem qualquer negócio para contratar ou manter um funcionário.
De acordo com pesquisa feita pela Fundação Dom Cabral com 130 companhias,
responsáveis por 22% do Produto Interno Bruto (PIB), 92% das empresas estão com
dificuldade para contratar profissionais.

Nesse cenário, vale tudo para preencher uma vaga, desde importar mão de obra
de países vizinhos e fazer anúncios de emprego durante a missa até designar
profissionais para promover a imagem do grupo entre candidatos. Foi-se o tempo
também que para encontrar um bom emprego era preciso ter pós-graduação,
mestrado e doutorado, além de experiência na área. Hoje muitas companhias já
abrem mão dessas exigências.

Dados da pesquisa da Dom Cabral mostram que 54% das companhias reduziram os
requisitos na contratação de pessoal para a área técnica e operacional. Nos
cargos estratégicos, 28% das empresas também diminuíram as exigências, como
pós-graduação, fluência em idiomas e experiência. A solução tem sido contratar
o profissional sem experiência, treiná-lo e capacitá-lo com cursos moldados à
necessidade da companhia.

"O poder mudou de lado", resume o professor da Fundação Dom
Cabral, Paulo Resende, responsável pela pesquisa. Na avaliação dele, hoje quem
está dando as cartas no mercado são os trabalhadores, e não mais as empresas.
"A situação é resultado de uma série de armadilhas criadas pela própria
sociedade. Primeiro desvalorizou-se a mão de obra técnica. Depois inundamos o
mercado com profissionais diplomados e baixa qualidade."

Para o professor, o Brasil precisa acelerar a criação de uma nova política
de emprego para não atrapalhar o ciclo de investimentos que se intensificará
com a realização da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016. Apenas
as empresas pesquisadas pela Dom Cabral afirmaram que vão demandar nos próximos
seis anos 28 mil pessoas na área operacional, 21 mil engenheiros e 10 mil
técnicos.

Mesmo reduzindo as exigências, algumas companhias demoram até seis meses
para encontrar um profissional. "A concorrência está muito grande.
Enquanto você prepara a contratação, o candidato já conseguiu outra proposta e
temos de começar tudo de novo", diz a gerente de Recursos Humanos da Masb
Desenvolvimento Imobiliário, Mariangela Tolentino, que tem 250 vagas em aberto.

Embora
atinja todos os níveis, o problema é mais delicado em cargos técnicos e
operacionais. Falta de tudo, de engenheiro a pedreiro. " Temos de investir
em novas tecnologias para reduzir a dependência da mão de obra", diz o
presidente do Sindicato da Indústria da
Construção Civil
do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Sergio Watanabe.


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