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04/07/2011

Indústrias de Minas resistem

 

"Cbic"
04/07/2011:: Edição 130

Jornal Diário do Comércio – MG/MG 02/07/2011

Indústrias de Minas resistem

Empresas fecharam o semestre com bons resultados e perspectiva para 2011 é positiva.

 
 LUCIANA SAMPAIO.  
 ALISSON J. SILVA
 Efeitos das medidas do governo desaceleraram a indústria, que ainda assim continua crescendo
 
 Apesar das medidas de restrição ao crédito, da alta dos juros e da concorrência com os produtos chineses, a indústria mineira concluiu o primeiro semestre com bons resultados. A expectativa para os próximos seis meses do ano continua positiva.
 Com duas plantas localizadas na Região Metropolitana de Belo Horizonte, uma em Contagem e outra em Vespasiano, a Delp Engenharia não foi afetada pelas medidas de controle. "As medidas do governo federal não nos afetaram porque nossa carteira é consistente nos setores de óleo e gás e energia, que continuam investindo em bens de capital para crescer", diz o diretor-superintendente, Marcelo Botelho. Por isso, o primeiro semestre foi bastante positivo para a companhia.
 Sem adiantar números, o executivo disse que houve aumento da produção e do volume da carteira. A expectativa de crescimento para 2011 varia entre 35% e 50%. Atualmente, a Delp tem 900 empregados.
 A Companhia Fiação e Tecidos Cedro e Cachoeira S/A, sediada em Belo Horizonte e com quatro fábricas em Minas Gerais, também obteve resultado superior à meta estipulada para o primeiro semestre. Sem adiantar números, o presidente da empresa, Aguinaldo Diniz, afirma que a comercialização teve avanços, embora o preço do algodão ainda continue mais alto que o praticado em 2010.
 No entanto, há preocupações para o segundo semestre em relação à inflação e aos impactos das medidas do governo federal para contê-la. "A importação de produtos têxteis está absolutamente indecente", aponta. A Cedro tem 3,4 mil empregados e trabalha em quatro turnos.
 Com sede em Belo Horizonte, a Suggar Eletrodomésticos é outra empresa que fechou junho dentro da expectativa traçada para o primeiro semestre. Para o presidente, Lúcio Costa, as vendas estão aquecidas porque há quatro produtos novos. "No segundo semestre não tem IPVA, IPTU, volta às aulas e as dívidas do Natal. Os consumidores estão mais capitalizados", analisa.
 No caso da Suggar, entre 60% e 65% das vendas são realizadas no segundo semestre. Para 2011, a companhia projeta incremento de 15%. A empresa tem mais de 1 mil empregados.
 Na contramão, a Orteng MCT Transformadores fechou o primeiro semestre com 30% de queda no faturamento no comparativo com o mesmo período do exercício anterior. O diretor da unidade, Marcelo de Lemos Chernicharo, afirma que, em termos de negócios, há mais consultas que contratos assinados. "No ano passado tivemos uma grande alavancada por causa do programa Luz para Todos, que termina em julho. Com isso, o mercado está atípico.
 Já nos últimos seis meses, o executivo disse que a demanda do mercado de distribuição de energia e também das indústrias foi inferior. Outro fator que impactou os negócios da Orteng foi o preço dos produtos. "Os chineses ainda não entram no país com o produto acabado, mas colocam no mercado nacional uma infinidade de matérias-primas, com preços mais competitivos", avalia.
 Ainda conforme o empresário, esse sentimento de pessimismo é comum a outras empresas do segmento. Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) com 12 companhias do setor aponta que 57% dos entrevistados acreditam que os negócios ficaram piores eentre junho e novembro. Os que apostam em um resultado igual somam 41% e os otimistas, 2%. "Nós nos preparamos para crescer 15% em 2011. Dificilmente conseguiremos. Se as obras públicas tão faladas se tornarem realidade, temos condições de reverter a situação", considera.
 ALISSON J. SILVA
 Na Delp Engenharia estimativa é alcançar crescimento de 35% a 50% neste ano na comparação com 2010
 Construção  – A indústria da construção civil também obteve bons resultados no período no comparativo com 2010, ano que tem sido considerado "fora da curva" pelos empresários. Embora não tenha fechado os números do semestre, a Habitare Construção comercializou, entre janeiro e maio, um total de 342 unidades, 7% a mais que no primeiro semestre do exercício anterior. A receita foi 10% superior, totalizando R$ 108 milhões, como ressalta o vice-presidente da empresa, Alexandre Soares.
 "Poderíamos ter vendido mais se não fossem as medidas de restrição do governo federal para controlar a inflação", pondera.
 Em 2010, a Habitare superou todas as metas. Por isso, no primeiro semestre deste ano houve escassez de produtos. Os empreendimentos planejados para o período, com um total de 600 unidades habitacionais, ainda estão "parados" na Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), devido ao licenciamento ambiental, como informou o executivo.
 Se os projetos forem aprovados, a oferta de imóveis aumentará consideravelmente, o que terá impacto direto no percentual de crescimento do ano, podendo chegar a 20%. "Em maio lançamos um empreendimento com 64 unidades habitacionais. Nos primeiros 30 dias, comercializamos 34 unidades e hoje só temos seis no prédio", comenta. A construtora conta com 3 mil funcionários diretos e outros 3 mil indiretos.
 O grupo Maio Paranasa também registrou excelente resultado no primeiro semestre. Segundo o diretor de Empreendimentos, Jânio Valeriano, a atuação no segmento hoteleiro em parceria com a rede francesa Accor, desde 1998, atingiu a maturidade. "Ainda não fechamos os números mas praticamente dobramos os resultados em comparação com o primeiro semestre de 2010", enfatiza.
 Além de inaugurar o Ibis Savassi, na última semana, a empresa já se prepara para construir mais um hotel na mesma região. Paralelamente, está presente na "rota do petróleo", no Rio de Janeiro, onde constrói um empreendimento do gênero, com conclusão prevista para o segundo semestre de 2012.
 A empresa também tem empreendimentos residenciais e comerciais. "A economia está crescendo de forma sustentada, a inflação assustou no primeiro momento mas reconhecemos o esforço do governo para contê-la", aponta o empresário. Com o aumento do número de empreendimentos, a empresa tem sido desafiada a administrar a alta do custo da mão de obra, o principal gargalo do setor. 
 
 

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