AGÊNCIA CBIC
FGTS, habitação e perspectivas de investimentos marcam debates do Encontro CBIC em Belém
O futuro do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), a ampliação do acesso à moradia e as perspectivas de investimentos na Região Norte estiveram entre os principais temas do Encontro CBIC de Incorporadores e Construtores 2026 – Norte, realizado nos dias 4 e 5 de novembro, em Belém. Promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o evento reuniu representantes do governo federal, empresários e especialistas para debater os desafios do setor e as oportunidades de desenvolvimento regional.
Um dos destaques da programação foi o painel “FGTS 60 anos – O Futuro do Fundo que Transforma o Brasil”, que reuniu a consultora da CBIC Maria Henriqueta Arantes; o vice-presidente agente operador interino da Caixa Econômica Federal, Rodrigo Hideki Hori Takahashi; o diretor do Departamento de Planejamento e Política Nacional de Habitação do Ministério das Cidades, Felipe Bragança Itaborahy; e Edilson Moura, da Superintendência Regional do Min istério do Trabalho e Emprego.
O debate abordou a importância do Fundo para o financiamento habitacional, a infraestrutura e o desenvolvimento econômico, além da necessidade de preservar seus recursos para as próximas gerações. Maria Henriqueta ressaltou a trajetória do FGTS como instrumento de proteção ao trabalhador e de transformação social. “O FGTS é um instrumento de desenvolvimento urbano do qual o Brasil não pode prescindir”, afirmou, ao defender a manutenção de sua capacidade de investimento.
Na discussão, também foram destacados os avanços do Minha Casa, Minha Vida, a importância do FGTS para a continuidade da política habitacional e a necessidade de conciliar a proteção dos recursos dos trabalhadores com os investimentos sociais.
O cenário político e econômico também esteve em pauta. O painel “Cenário Político-Econômico: Perspectivas para o Setor da Construção” contou com a participação do presidente da CBIC, Eduardo Aroeira Almeida; da economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos; do cientista político Leonardo Barreto; e do vice-presidente do Sinduscon-Pará, Emmanuel Salgado Athayde.

Entre os principais assuntos estiveram os impactos dos juros elevados, da carga tributária e dos custos de produção sobre a atividade, além dos possíveis reflexos do cenário político nacional sobre a economia e o ambiente de negócios. Para Eduardo Aroeira, a capacidade de superar desafios é uma das principais características do setor. “A força da construção civil está na sua importância para o desenvolvimento do país, mas também na capacidade de seus empresários de enfrentar e superar, diariamente, enormes desafios. Esse é o nosso DNA”, destacou.
Habitação, novos investimentos e sustentabilidade
Os desafios para ampliar a produção habitacional na Região Norte ganharam atenção especial no painel “Minha Casa, Minha Vida na Região Norte”, com a participação do vice-presidente da Área de Habitação de Interesse Social da entidade, Clausens Roberto de Almeida Duarte; do vice-presidente da Região Norte da CBIC, Clerlânio Fernandes de Holanda; do vice-presidente do Sinduscon-Pará, Ubirajara Marques de Oliveira Neto; e do sócio-fundador da Brain Inteligência Estratégica, Marcos Kahtalian.
Os participantes discutiram as particularidades da região, como os custos logísticos, as dificuldades de execução dos empreendimentos, a baixa utilização dos recursos disponíveis para financiamento e a necessidade de adequar as condições de produção à realidade local.

O vice-presidente da Área de Habitação de Interesse Social da CBIC, Clausens Roberto de Almeida Duarte, reconheceu os avanços recentes do Minha Casa, Minha Vida, mas ressaltou que ainda há obstáculos para ampliar a oferta de moradias. “A região Norte, em específico, teve um grande avanço nos últimos três anos, entretanto, ainda está bem aquém realmente do potencial e da necessidade aqui da região Norte, então a gente tem um grande desafio pela frente”, afirmou.
A programação também abriu espaço para as oportunidades de negócios relacionadas à Margem Equatorial. O painel “Margem Equatorial: Oportunidades para a Construção e o Desenvolvimento Regional” reuniu os vice-presidentes da CBIC Ilso José de Oliveira e Celso Pimentel, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), Alex Dias Carvalho, e o sócio-diretor da BrainMarket, Eduardo Aragon.
O debate abordou o potencial de novos investimentos em petróleo e gás, seus possíveis reflexos sobre a infraestrutura regional e a importância de preparar as empresas locais para participar das oportunidades geradas pela atividade.

“Nós vamos ter a chance de observar o quanto nós temos de oportunidades dentro desse projeto, dentro dessa região chamada Margem Equatorial. E são oportunidades das mais diversas possíveis, no segmento da indústria da engenharia e construção”, destacou Ilso José de Oliveira.
Encerrando a programação de debates, o painel “ESG na Construção: Estratégia e Ação” abordou a importância de integrar práticas ambientais, sociais e de governança à estratégia das empresas da construção civil. A discussão foi conduzida por Maria Inês Menegotto, vice-presidente da Área de Responsabilidade Social da CBIC, e contou com a participação de Pedro Lins, professor da Fundação Dom Cabral, e Marcelo Figueiredo, representante do Sinduscon-MG e da Atona Gestão e Inovação.
Durante o painel, foram apresentados caminhos para incorporar a sustentabilidade à gestão empresarial, com foco na redução de desperdícios, no uso eficiente dos recursos, na valorização das pessoas e no fortalecimento da governança. Os especialistas também destacaram a importância de transformar os compromissos ESG em ações práticas, capazes de gerar resultados para as empresas e contribuir para a competitividade do setor.

Um dos destaques foi o lançamento do Guia Prático para Implementação de ESG nas Empresas de Construção – edição 2026, iniciativa do Sinduscon-MG, da Comissão de Obras Industriais e Corporativas (COIC) da CBIC, com apoio da Fundação Dom Cabral. A publicação reúne orientações para estruturar a governança, avaliar o estágio de maturidade das empresas, elaborar planos de ação e acompanhar indicadores de desempenho, oferecendo ferramentas para facilitar a implementação das práticas ESG no dia a dia dos negócios.
O Encontro CBIC de Incorporadores e Construtores 2026 – Norte é uma realização da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), com correalização do Serviço Social da Indústria (SESI), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) e do Sindicato da Indústria da Construção do Estado do Pará (Sinduscon-PA). O evento conta com o apoio institucional da Schneider Electric e da Steck, além do patrocínio oficial da CAIXA e do Governo do Brasil.



















































































