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AGÊNCIA CBIC

18/06/2026

Especialistas debatem mercado imobiliário, inteligência artificial e desafios da construção no Encontro CBIC de Incorporadores e Construtores 2026

O panorama do mercado imobiliário brasileiro, os impactos da inteligência artificial nas incorporações e os desafios para o crescimento sustentável da construção civil estiveram entre os principais temas debatidos na tarde desta quinta-feira (18) durante o FIERGS apresenta: Encontro CBIC de Incorporadores e Construtores 2026 | Sul, em Porto Alegre (RS).

Promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o evento reuniu empresários, especialistas e lideranças para discutir o futuro do setor e as oportunidades de desenvolvimento para a região Sul.

Ao longo da tarde, especialistas e representantes do mercado participaram de uma série de painéis voltados à análise dos temas que mais impactam o ambiente de negócios da construção civil. As discussões abordaram tendências de mercado, comportamento do consumidor, inovação tecnológica e perspectivas para os próximos anos, com foco no fortalecimento do setor na região Sul.

No painel “Panorama Imobiliário da Região Sul: dados, tendências e perspectivas de mercado”, o sócio-diretor da Brain Inteligência Estratégica, Fábio Tadeu Araújo, apresentou uma análise do cenário atual do mercado imobiliário. Segundo ele, a maior parcela dos consumidores em busca da casa própria está na faixa entre 25 e 35 anos, motivada principalmente pela saída do aluguel ou da casa dos pais. Já parte da classe média tem optado por imóveis menores ou pela locação como forma de manter a qualidade da localização.

Araújo destacou que a intenção de compra de imóveis atingiu o maior nível dos últimos seis anos. No entanto, alertou que fatores como o elevado endividamento das famílias e as altas taxas de juros continuam limitando o poder de compra dos consumidores.

O especialista também chamou atenção para o desempenho do mercado na região Sul. Porto Alegre se destaca nacionalmente por concentrar a maior proporção de imóveis de altíssimo padrão do país. Já cidades como Gramado e Torres figuram entre os mercados com os maiores preços médios por metro quadrado, impulsionadas pelo turismo e pela valorização imobiliária.

Segundo Araújo, os preços dos imóveis não acompanharam integralmente a alta dos custos da construção nos últimos anos, o que pode abrir uma janela de oportunidade para aquisição de imóveis antes de novos reajustes nos próximos lançamentos.

Já o painel “Inteligência Artificial Aplicada às Incorporações” foi apresentado por Gustavo Martins de Paula, diretor de Negócios do Sienge. Em sua palestra, ele destacou o potencial da tecnologia para aumentar a produtividade e reduzir o tempo gasto em processos como orçamentos e análises de dados. No entanto, alertou que a inteligência artificial não substitui o julgamento humano, especialmente em decisões estratégicas e na validação de informações, já que a ferramenta pode gerar erros ou interpretações equivocadas.

“No mercado imobiliário, ainda teremos tempo para nos adaptar à inteligência artificial. Não acredito que ela vá provocar uma ruptura imediata no setor. Mas, se não começarmos agora a testar, aprender e implementar essas ferramentas, corremos o risco de ficar para trás. É difícil prever exatamente a velocidade dessa transformação, mas uma coisa é certa: não podemos permanecer parados”, enfatizou.

Segundo Martins, o sucesso da implementação da inteligência artificial depende da qualidade dos dados utilizados e, principalmente, de uma mudança cultural dentro das empresas. A recomendação é utilizar a tecnologia para automatizar tarefas repetitivas e operacionais, mantendo o controle humano sobre decisões estratégicas e atividades que exigem análise crítica.

Encerrando a programação, o painel “Incorporando na prática: líderes do Sul em debate” reuniu Marcelo Guedes, COO da Melnick, e Rodrigo Moraes Martins, diretor da Plaenge, para discutir os desafios do mercado imobiliário em um cenário marcado por juros elevados e incertezas econômicas.

Os executivos destacaram que, embora a classe média enfrente dificuldades relacionadas ao crédito, os segmentos econômico e de alto padrão seguem demonstrando maior resiliência. Entre as estratégias apontadas para enfrentar o cenário atual estão a gestão rigorosa do caixa, o desenvolvimento de produtos capazes de gerar maior valor percebido pelos consumidores e a expansão para novos mercados por meio de parcerias locais.

Os painelistas também ressaltaram que a maturidade empresarial, o planejamento de longo prazo e a troca de experiências entre empresas do setor são fatores fundamentais para o sucesso em um mercado caracterizado por ciclos longos e constantes transformações.

A iniciativa foi promovida pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), com correalização do SENAI Nacional e apoio da Schneider Electric, Steck, Sinduscon-RS e Sicepot-RS.

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