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AGÊNCIA CBIC

27/10/2026

Encontro CBIC debate importância do FGTS e perspectivas econômicas para a construção civil no Centro-Oeste

O papel do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) no financiamento habitacional, os desafios econômicos da construção civil e as perspectivas para o mercado imobiliário foram os principais temas do Encontro CBIC de Incorporadores e Construtores 2026: Centro-Oeste, realizado nesta terça-feira (27), no Centro de Convenções de Goiânia. O evento reuniu representantes do setor da construção, do governo federal e da Caixa Econômica Federal para debater os 60 anos do FGTS, os impactos dos juros elevados sobre a atividade, a segurança jurídica nas relações entre construtoras e consumidores e as oportunidades de expansão do mercado habitacional, com destaque para o programa Minha Casa, Minha Vida.

FGTS: 60 anos de contribuição para o desenvolvimento do Brasil

Responsável pela condução do primeiro painel, a consultora técnica da CBIC e integrante do Conselho Curador do FGTS, Maria Henriqueta, destacou o papel histórico do FGTS na melhoria das condições de vida da população brasileira.

“Esses recursos são aplicados em benefício das famílias, na construção de moradias, em saneamento e infraestrutura. Temos que ter muito orgulho do nosso passado e pensar no futuro, nos próximos 60 anos, sem esquecer o pacto original do FGTS, que é garantir uma reserva financeira ao trabalhador”, afirmou.

Henriqueta ressaltou ainda que a estrutura de governança do fundo, coordenada pelo Conselho Curador do FGTS, foi fundamental para assegurar sua continuidade ao longo de diferentes governos e permitir a ampliação dos investimentos em políticas públicas. A dirigente também apresentou dados sobre a aplicação dos recursos no Centro-Oeste, destacando que Goiás recebeu R$ 49,5 bilhões em financiamentos com recursos do FGTS entre 2016 e 2025.

“Precisamos modernizar e preservar os resultados extraordinários do FGTS. É fundamental que o setor atue coletivamente em defesa do fundo, evitando que seus recursos sejam direcionados a finalidades que comprometam sua capacidade de financiar habitação, saneamento e infraestrutura”, defendeu.

A diretora de Fundos de Governo da Caixa Econômica Federal, Danielle Mendonça de Souza dos Reis, apresentou um panorama da trajetória do FGTS, desde sua criação, em 1966, até os avanços recentes na gestão e na digitalização dos serviços. Segundo ela, o fundo nasceu com duas grandes missões: oferecer segurança financeira aos trabalhadores e contribuir para o desenvolvimento do país.

“O Brasil precisa do FGTS. É importante compreender o propósito desse fundo e a relevância que ele teve ao longo dessas seis décadas, tanto para a proteção dos trabalhadores quanto para o desenvolvimento econômico e social”, destacou.

Danielle relembrou marcos importantes, como a centralização das contas na Caixa, em 1991, a criação do Fundo de Investimento do FGTS, em 2007, e a ampliação dos serviços digitais. Atualmente, segundo ela, o aplicativo FGTS responde por 99% das transações de saque.

Ao completar 60 anos, o FGTS alcançou R$ 876,7 bilhões em ativos. Em 2025, foram registrados R$ 141,9 bilhões em contratações, com 633 mil famílias atendidas na área habitacional. Para a representante da Caixa, os resultados demonstram a solidez do fundo, mas também reforçam a necessidade de planejamento para garantir sua sustentabilidade.

O secretário nacional de Habitação do Ministério das Cidades, Augusto Henrique Alves Rabelo, destacou a importância do FGTS para a execução das políticas habitacionais, especialmente do programa Minha Casa, Minha Vida. Segundo ele, o fundo é responsável por aproximadamente 83% do financiamento da política habitacional brasileira.

“O Brasil não seria o mesmo se não fosse o FGTS. No Ministério das Cidades, o fundo está no centro das nossas discussões. Essa conexão entre o FGTS e o Minha Casa, Minha Vida é fundamental para o desenvolvimento do país”, afirmou.

Rabelo apresentou resultados recentes da política habitacional, com 2,7 milhões de imóveis contratados e presença em aproximadamente 95% dos municípios brasileiros. Também destacou medidas para ampliar o acesso à moradia, como a criação da modalidade voltada à classe média, a ampliação das faixas de renda e a utilização de recursos do Fundo Social, provenientes do pré-sal, para complementar o financiamento habitacional e reduzir a pressão sobre o FGTS.

Cenário político e econômico: perspectivas para o setor da construção

Na sequência, a economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, abriu o painel “Cenário político e econômico: perspectivas para o setor da construção”, apresentando um panorama da economia brasileira e dos principais indicadores que influenciam a atividade. Entre os pontos abordados estiveram o comportamento da taxa de juros, a inflação, o câmbio, os investimentos e o mercado de trabalho, além dos impactos dessas variáveis sobre o desempenho da construção civil.

Ieda destacou que a taxa de investimento do país permanece em torno de 16% nos últimos quatro anos e que a Selic está em patamar de dois dígitos desde 2022, cenário que continua pressionando o setor, especialmente por sua dependência de crédito. No mercado de trabalho, a economista apresentou dados que apontam uma taxa de desemprego de 5,3%, com aproximadamente 103 milhões de pessoas ocupadas, entre trabalhadores formais e informais.

Ao apresentar as expectativas econômicas para 2026 e 2027, com base nas projeções do Boletim Focus, Ieda chamou a atenção para a continuidade dos juros elevados. As estimativas apresentadas apontam crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,80% em 2026 e 1,31% em 2027, enquanto a inflação projetada é de 5,19% e 4,34%, respectivamente. Para a Selic, as expectativas são de 13,25% ao final de 2026 e 11,75% em 2027.

A economista ressaltou que a perspectiva de manutenção dos juros em níveis elevados representa um dos principais desafios para os empresários da construção, tanto pelo encarecimento do financiamento dos empreendimentos quanto pelos efeitos sobre a capacidade de compra das famílias. Conforme as projeções apresentadas, a taxa básica de juros só retornaria ao patamar de um dígito em 2029.

O contador e sócio do Grupo Mapah, Manoel Estevam de Farias Filho, abordou os impactos econômicos e fiscais da habitação popular para os municípios, a partir da pergunta: “Habitação popular dá prejuízo para o município?”. Segundo ele, a resposta depende de uma análise do saldo fiscal gerado pelos novos moradores, considerando tanto o aumento da arrecadação quanto os custos adicionais com serviços públicos, como saúde, educação e infraestrutura.

O especialista destacou que a reforma tributária deverá trazer mudanças importantes para essa relação, com a transição gradual da tributação da origem para o destino, ampliando a relevância do consumo local na distribuição das receitas. Nesse cenário, defendeu a realização de estudos para mensurar os efeitos dos empreendimentos habitacionais sobre as contas públicas e subsidiar o planejamento dos municípios.

Para finalizar o painel, o analista político Léo Barreto apresentou uma avaliação do cenário político após as eleições, destacando os possíveis reflexos do resultado das urnas sobre a composição do Congresso Nacional e a governabilidade. Segundo ele, o momento é mais propício a reflexões do que a diagnósticos definitivos, diante de um resultado eleitoral considerado improvável pelos modelos probabilísticos e de mudanças que podem influenciar a dinâmica política nos próximos anos.

Barreto chamou a atenção para o fortalecimento de bancadas com posicionamentos ideológicos mais definidos, especialmente com o crescimento do Partido Liberal (PL) na Câmara dos Deputados e no Senado. Na avaliação do analista, esse movimento, acompanhado de uma possível redução do espaço político dos partidos de centro, poderá tornar mais complexa a construção de maiorias parlamentares e a aprovação de propostas que dependem de amplo apoio no Congresso.

Prazos de garantia: mitos e verdades

Na programação da tarde, o painel “Conjur – Prazos de Garantias: Mitos e Verdades” abordou um tema de grande relevância para o setor da construção civil: as garantias dos imóveis e as responsabilidades das construtoras após a entrega das obras. O assunto foi apresentado por Francisco Maia Neto, do Sinduscon-MG, e Leonardo Romeu, do Sinduscon-BA, com mediação de Felipe Melazzo, presidente do Conselho Jurídico (Conjur) da CBIC.

O painel tratou das diferenças entre os prazos de garantia previstos na legislação, dos tipos de problemas construtivos e dos direitos dos consumidores, destacando a importância da segurança jurídica, da prevenção de conflitos e da clareza nas responsabilidades de construtoras e proprietários.

Habitação em perspectiva: cenário, dados e oportunidades para o mercado

Encerrando a programação, o painel “Habitação em Perspectiva: Cenário, Dados e Oportunidades para o Mercado” destacou a importância do programa Minha Casa, Minha Vida para o desenvolvimento do mercado imobiliário brasileiro e a ampliação do acesso à moradia.

Entre os assuntos abordados estiveram as perspectivas para o setor habitacional, as demandas das famílias brasileiras e as oportunidades de crescimento do mercado, especialmente no segmento de habitação popular.

O encontro é realizado pela CBIC, com correalização da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO) e do Sindicato da Indústria da Construção no Estado de Goiás (Sinduscon-GO), e apoio da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg).

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