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19/02/2010

Indústria abre 69 mil vagas em janeiro

Resultado do setor representa mais de um terço do total de 181 mil empregos formais criados no mês

Do saldo de 181,4 mil empregos com carteira assinada criados no mês passado, a indústria de transformação respondeu por mais de um terço, num total de 68,9 mil postos de trabalho.

Esse valor é semelhante ao verificado nos meses de agosto e outubro do ano passado, período em que as fábricas contratam mais para se preparar para as festas de fim de ano. Para analistas, a expressiva contratação de janeiro é um sinal de que a indústria está se preparando para aumentar a produção nos próximos meses e recompor as vagas fechadas durante a crise.

Mesmo com o saldo de 10 mil contratações em 2009 e as vagas abertas em janeiro passado, a indústria ainda acumulada um saldo negativo de 265 mil empregos em relação ao total de trabalhadores empregados em setembro de 2008. Especialistas em emprego e empresários são unânimes em afirmar que é o mercado doméstico que puxa a recuperação "generalizada e homogênea" das fábricas desde meados de 2009. O movimento deste início de ano, captado pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado ontem, indica que a recuperação pode ser mais rápida do que se previa.

"A indústria já queimou os estoques acumulados antes das turbulências econômicas mundiais e, para formar novos estoques, tendo em vista o forte crescimento da atividade neste ano, é preciso aumentar o número de funcionários", diz Fernando Puga, chefe do departamento de pesquisa econômica do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo Puga, setores como siderurgia e montadoras foram "surpreendidos", ao longo de 2008, pela dinâmica do mercado interno. "Muitos alto-fornos de siderúrgicas e linhas de montagem das montadoras", diz Puga, "tiveram de ser reativados, e, consequentemente, muito pessoal demitido passou a ser recontratado".

Para o economista do BNDES, uma das principais fomentadoras desta recuperação tem sido a construção civil, que manteve ritmo acelerado de contratações – em janeiro, foi o segundo setor que mais contratou, com saldo de 54,3 mil empregos. "Construção civil demanda aço, o que intensifica o trabalho das siderúrgicas, já puxado pela produção de automóveis, que também demanda produtos químicos. Ao mesmo tempo, as construtoras consomem plásticos, cimento, azulejo, setores intensivos em mão de obra. Isso gera um efeito em cadeia", afirma.

Para Paulo Safady Simão, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), a alta de janeiro ilustra o ritmo "robusto" que se estenderá por todo o ano. "Há muito tempo não tínhamos essa perspectiva de continuidade, quer dizer, de que o cenário futuro é ainda melhor que o presente", diz. Para Simão, porém, a mão de obra pode ser um gargalo ao crescimento. "Isso já está ocorrendo, mas pontualmente, em vagas mais especializadas, como engenheiro e mestre de obras. Precisamos investir num modelo mais avançado tecnologicamente, que demande menos mão de obra."

Os números do emprego formal em janeiro também mostram mudanças regionais ocorrendo no mercado de trabalho. Segundo Sérgio Mendonça, supervisor técnico das pesquisas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), os Estados que mais contratavam no período pré-crise, São Paulo e Minas, estão retomando a liderança. "Eles eram os que mais cresciam e no período recessivo foram os que mais demitiram e cortaram vagas. Hoje, estão impulsionando o emprego de novo", diz. Segundo o Caged, foram justamente São Paulo e Minas as regiões que mais absorveram mão de obra em janeiro – 51,1 mil e 20,5 mil, respectivamente. Ao mesmo tempo, suas capitais figuraram entre as três onde o nível de emprego mais cresceu – 30,7 mil novas vagas em São Paulo e 8,7 mi em Belo Horizonte.

No Estado de São Paulo, a variação do emprego da indústria em janeiro foi de 1,14% sobre dezembro, um saldo de 29,9 mil vagas. O resultado representa mais da metade de todo o emprego gerado no Estado no mês. O setor que mais contratou foi mecânica, com um saldo de 5,5 mil vagas, crescimento de 2,27% sobre dezembro. Ainda assim, o resultado em 12 meses é negativo, com uma diferença de 7 mil vagas entre demissões e admissões. O resultado positivo do último mês reflete a retomada recente de bens de capitais, movimento impulsionado pelos investimentos da indústria.

Para Paulo Francini, diretor de estudos econômicos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), há uma "conjunção positiva" na retomada do emprego nos setores de mecânica e metalurgia. Foram setores que sofreram com a degradação do comércio exterior e recuperam produção baseados no consumo doméstico. "A demanda interna, amparada na contínua elevação da renda e do crédito, inspira o aparelhamento industrial. É exatamente isto o que está acontecendo agora, no Estado e no país". Para ele, a alta do emprego é "homogênea", porque se espalha em diferentes setores, como calçados e metalurgia.

As contratações da indústria calçadista já refletem as expectativas de crescimento da produção para 2010, segundo José Carlos do Couto, presidente do Sindicato da Indústria Calçadista de Franca (Sindifranca). No município, polo paulista do produto, os empresários projetam um aumento da produção de 7% sobre 2008. O saldo de vagas na indústria de transformação na cidade ficou em 1,9 mil em janeiro. No Estado, o setor de calçados contratou 3,2 mil mais pessoas do que demitiu, e no país, o saldo ficou em 7,7 mil vagas.

Couto acredita que, no segundo trimestre deste ano, já será possível chegar aos níveis de produção de 2008 (28,7 milhões de pares) em Franca e, até o fim do ano, a indústria espera produzir 30 milhões de pares. "O mercado interno está puxando a produção, e é com ele que estamos contando nas nossas projeções". Couto explica que o resultado apontado pelo Caged é positivo, pois o mês de janeiro costuma ser fraco nas contratações. "Daqui para frente só tende a melhorar", diz. A abertura de vagas deve se fortalecer a partir de março.

Outro segmento que contratou em janeiro foi material de transportes, que reúne montadoras e fabricantes de peças. Segundo o Caged, o setor gerou 5,9 mil vagas no país em janeiro. De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) o setor empregava, em janeiro passado, 126, 2 mil pessoas, 1,8 mil a mais que em dezembro.

Valor Econômico/SP – 19 de fevereiro de 2010

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