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Agência CBIC

15/12/2010

Discurso José Roberto Bernasconi – Eminente Engenheiro do ano de 2010

Discurso
de José Roberto Bernasconi, de
13 de dezembro de 2010, quando foi homenageado Eminente
Engenheiro do Ano de 2010, pelo
Instituto de Engenharia de São Paulo

O Papel da Engenharia e dos Engenheiros

Como
aqui foi dito, além de engenheiro civil, sou advogado. (Recente, verde)

Mas
aprendi, no Curso de Direito, entre tantas coisas, que os Juízes, os Promotores
Públicos e os Advogados são os “Operadores do Direito”.

Sem
eles não se solucionam os conflitos, não se distribui Justiça. Os estudantes de
Direito aprendem, desde o 1º ano, que “sem os advogados não se faz Justiça”.

Estou
de pleno acordo.

Mas
e nós, os engenheiros?

A
Engenharia, que é ciência, técnica e, até, arte, a Engenharia é a propulsora do
Desenvolvimento.

E
os engenheiros são os “Operadores do Desenvolvimento”!

Se
acredito que sem Advogado não se faz justiça, tenho absoluta convicção de que
“sem os Engenheiros não se faz desenvolvimento”!

Os
engenheiros atuam na elaboração de Estudos, Planos, Projetos, Construção e
Produção, Gerenciamento, Gestão, Operação, Manutenção, ou seja, em todas as
fases e em todos os ciclos de produção.

Mas,
lamentavelmente, a Engenharia não tem sido respeitada e nem utilizada da melhor
maneira no Brasil.

Perdemos
o hábito de Planejar! Planejar é pensar antes e quem pensa antes, executa
melhor.

As
décadas de stop & go, dos chamados voos de galinha, décadas marcadas pela
inflação, quando a velocidade das ações era o mais importante, mesmo em
detrimento da qualidade e do custo, todas essas circunstâncias levaram a nação
a não planejar adequadamente.

Decidido
um investimento, o urgente era iniciar a obra, Assim, os tempos para estudos de
alternativas, de amadurecimento das decisões, de elaboração dos projetos a
partir dos dados de campo, esses prazos foram quase que suprimidos.

Ainda
pior: Projetos de engenharia contratados por menor preço, até mesmo por pregão,
desrespeitando a natureza intelectual do processo de projetar, do criar e
decidir a partir do conhecimento técnico e do amadurecimento profissional do
projetista, depois de muita reflexão.

Esta
prática errada desconsidera que, no projeto, está o código genético, o genoma,
o DNA do empreendimento e que ‘Antes de uma Boa Obra, existe sempre um bom projeto’.

Esta
prática corresponde à preparação do desastre!

O
resultado é previsível: má qualidade nas obras, obras paralisadas e inacabadas,
custos muito acima do previsto e, também, recursos financeiros empoçados e não
utilizados por falta de projeto e por má gestão!

Parece
óbvio: más decisões não levam a bom resultados!

Temos
discutido publicamente os temas COPA 2014 e Olimpíadas 2016, procurando
contribuir para a compreensão de seu significado para o Brasil, como país-sede.

São
os 2 maiores eventos midiáticos do planeta, sendo acompanhados por dezenas de
bilhões de pessoas. (27 bilhões – COPA 2006 e 30 bilhões – Olimpíadas 2008).

É
uma grande oportunidade para a transformação das cidades-sede, sua melhoria,
renovação, da ampliação de sua infraestrutura, além da geração de equipamentos
esportivos modernos, atuais.

Para
gerar um legado permanente para o País e para as cidades-sede é necessário
planejar, decidir o que fazer, como fazer, definir a modelagem e
elaborar os planos-diretores, os projetos de arquitetura e engenharia para aí,
então, contratar obras e gerenciar sua implantação cuidadosamente.

No
entanto, para a COPA 2014 já se passaram 3 anos, não se fez tudo o que poderia ter
sido feito, e ainda temos grandes indefinições, o que traz a preocupação a
respeito do legado que a COPA deixará para a sociedade brasileira.

É
uma pena que a situação seja essa, e algumas pessoas podem até imaginar que é
assim mesmo não tem jeito, mas não é verdade!

Deixem-me
relatar o que Londres está fazendo para realizar as Olimpíadas de 2012.

A
candidatura foi vitoriosa em 2005 e resultou de proposta elaborada a partir de
2002.

Os
ingleses decidiram que usariam os Jogos Olímpicos para renovar a região mais
pobre de Londres, a mais deteriorada e mais contaminada: sua zona Leste!

A
tinturaria da indústria têxtil britânica, instalada desde o século XVIII,
altamente poluidora, contaminou água, solo e ar.

E
mais, os períodos do carvão e do petróleo tornaram ainda mais aguda a
contaminação.

Londres
foi bombardeada na 2ª Guerra Mundial, e para sua reconstrução os escombros foram
lançados nessa região, que tem a população mais pobre, composta por imigrantes
da Ásia e do Oriente vivendo lá com a esperança de vida mais curta de Londres.
(3 a 5 anos menos de expectativa de vida).

Decidiram
os ingleses, então, recuperar aquela região com a construção do Parque
Olímpico, visando o futuro, o ano de 2040 como horizonte de projeto.

Por
isso, com esse olhar em 2040, o Parque Olímpico vai se chamar Legacy Park, o
Parque do Legado.

Em
julho de 2005, Londres escolhida, o Comitê Organizador Local criou a ODA
(Olympic Delivery Authority) com a missão de realizar o Parque Olímpico.

A
ODA contratou um consórcio gerenciador, composto de empresas de engenharia que,
desde o primeiro momento, participou do desafio de materializar o Parque
Olímpico.

Dividiram
o trabalho de realização em 4 fases.

1ª fase:

 De
Julho/2005 a Abril/2007. (20 meses)

Planejamento e instalação;
aproximação da comunidade local
.

Desenvolveram
o Plano Diretor do Parque Olímpico (que já está na sua 25ª revisão), ao mesmo
tempo em que iniciaram o trabalho de informação e envolvimento da população
residente e trabalhadora na área.

Aliás,
esse trabalho com a comunidade continua, é permanente.

2ª fase:

 De
Abril/2007 ao Verão de 2008 (Agosto; 16 meses)

Atividades principais:

Os
3 D – Dig, Demolish e Design
(Escavar, Demolir eProjetar)

Escavação, com descontaminação e despoluição do solo e da água.
A chamada Remediação.

Demolição dos edifícios antigos remanescentes, escombros, etc e,
notem,  90% desse material foi reciclado
e reutilizado no próprio sítio do Parque Olímpico. (“Sustentabilidade”)

Design – A elaboração dos projetos de arquitetura e de
engenharia dos principais equipamentos: estádio olímpico, parque aquático,
velódromo, estádios de bola-ao-cesto, handebol, etc.


fase:

The Big Build – A Grande
Construção

Do
Verão de 2008 ao Verão de 2011 – 3 anos!

Com
os projetos na mão, com os rios poluídos transformados em hidrovias limpas que hoje
servem à logística da obra, 10 ferrovias e linhas de metro novas e/ou
estendidas e/ou renovadas, começaram as obras dos diversos estádios.

Estão
hoje dentro do cronograma de prazos e de custos, respeitando as especificações
de projeto e atendendo à qualidade encomendada, e entregarão o Parque Olímpico
pronto no Verão (agosto) de 2011, com 1 ano de antecedência à data de início
dos Jogos Olímpicos!!

4ª fase:

Do
Verão de 2011 a Abril de 2012 (10 meses)

Eventos
de teste, quando farão os ajustes devidos e necessários e treinarão as equipes
contratadas e o voluntariado.

E
finalmente, a esperada

5ª fase:

Julho
de 2012 – Jogos Olímpicos e Para-Olímpicos

Será
que só os ingleses conseguem fazer isso?

Vocês
lembram do “Dilema do Biscoito”? “Aquele biscoito vende mais porque é
fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?!…”

O
país é desenvolvido porque planeja mais e faz projeto ou ele planeja mais e faz
projeto porque ele é desenvolvido?

Creio
que é um falso dilema!

Essa
é uma questão de escolha e de decisão e que nós, brasileiros, já temos idade e
maturidade suficientes para aprender com os mais desenvolvidos e replicarmos
aqui as boas práticas de outros países.

Muitas
vezes não são os recursos que limitam as decisões, mas as decisões e indecisões
que limitam os recursos!…

Aqueles
que decidem sobre investimentos, especialmente ao tratar de dinheiro público,
deve refletir muito entre o custo de fazer
e o custo de não fazer.

O Brasil, a preparação do futuro que
queremos

Feitos
esses comentários, tudo isso considerado vem a pergunta: Mas e o nosso futuro?
E o futuro do Brasil?

Peço
a permissão de todos para fazer, aqui e agora, uma reflexão em voz alta,
seguindo a melhor tradição do IE, ao longo dos seus 94 anos de atuação em favor
do desenvolvimento de nosso país.

Somos
engenheiros e cidadãos, sempre, mas há momentos e períodos em que temos que ser
substantivamente cidadãos e, adjetivamente, engenheiros. É o exercício do ser Cidadão-engenheiro,
o que é a prática quase centenária desta Casa.

É o pensar o Brasil, visionariamente, desenhando suas características futuras,
por exemplo, em 2050 e, ao fazê-lo, planejar, projetar, construir, gerenciar,
operar e manter, enfim, agir para torná-lo realidade física, palpável, concreta
para os brasileiros.

E,
notem,  2050 é uma boa meta. Se alguns
acham que está muito distante, devo lembrar a todos que hoje, em 2010, estamos
à mesma “distância” temporal de 2050 e de 1970, quando o Brasil sagrou-se
TRICAMPEÃO do mundo, no México, ganhando de 4×1 da Itália na final e,
seguramente, muitos de nós nos lembramos dos gols marcados por Pelé, Gerson,
Jairzinho e Carlos Alberto.

40
anos passam muito rapidamente!…(falo por experiência própria…)

Em
1970 éramos “noventa milhões em ação…”, lembram-se?

Somos
hoje 190 milhões e seremos, em 2050, talvez 240 milhões.

Somos
um dos BRICs, talvez o melhor deles.

Temos
território (8,5 milhões de km2), População (190 milhões) com boa
quantidade de jovens, e adultos em idade produtiva; (é o chamado Bônus
Demográfico); temos sol, água, ainda muita área cultivável..

Não
temos tido terremotos, furacões, ciclones ou tornados, nem temperaturas
extremas.

Talvez
sejamos o único país que reúne, ao mesmo tempo,  as condições de Segurança Hídrica, Segurança
Energética e Segurança Alimentar.

O
Brasil melhorou, soube aproveitar os ventos mundiais favoráveis, e ainda mais,
com os eventos COPA 2014 e Olimpíadas 2016 no Rio, nosso país tem atraído o
olhar interessado e interesseiro do mundo.

São
unânimes as previsões de economistas no mundo, de que até o fim desta década,
venhamos a ser a 5ª economia do planeta, medida pelo P.I.B.

Por
isso tudo, o Brasil está sendo convidado a fazer parte da 1ª Divisão do mundo
globalizado, vamos jogar a “Champions League” a liga dos Campeões.

Mas
sabemos que só o PIB não reflete a realidade completa, pois ainda temos grandes
carências e desequilíbrios..

Em
função dessas enormes carências e desequilíbrios me preocupa a Sustentabilidade
do nosso Desenvolvimento, a manutenção e permanência do Brasil nesse novo
patamar,para que não sejamos rebaixados para a Segunda Divisão do mundo global.

E
para conquistar a  sustentabilidade do
desenvolvimento, penso que devemos, como sociedade, consciente e ativa, sair da
atitude tolerante, complacente, passiva, e agir, buscando e cobrando maior
eficiência em setores fundamentais para o país.

A
chamada Sociedade Civil Organizada, composta pelas instituições, sindicatos de
trabalhadores e de empresários, entidades de classe, associações, ONGs,
sociedades e grupos de interesse, nesses tempos de Internet, blogs e redes
sociais, a sociedade civil organizada tem que atuar mais fortemente.

Ao
escolher seus representantes, seus mandatários, a Sociedade deve definir o mandato,
isto é, o que deverá ser buscado pelo mandatário durante o período de sua
representação, deve deixar claros quais os objetivos e metas que deverão ser
perseguidos.

No
seu discurso de posse como novo Presidente o Tribunal de Contas da União (TCU),
na última semana em Brasília, o Ministro Benjamin Zymler assinalou que “os cidadãos são destinatários de uma boa
administração pública”

Permitimo-nos
fazer um adendo: “os cidadãos são destinatários de uma boa administração
pública e a boa administração pública entrega bons resultados.

É,
portanto, um poder-dever da Sociedade, como Mandante que é, acompanhar e cobrar
pelos resultados esperados.

Tenho
a plena consciência da imensa complexidade do Brasil de hoje e, por
consequência, como é difícil formular propostas para o nosso desenvolvimento.

Porém,
de maneira muitíssimo esquemática, acho que a Sustentabilidade do Desenvolvimento
brasileiro, para nos mantermos na 1ª Divisão do Campeonato Mundial, se apoia em
5 colunas principais:

1) Educação

2) Saúde

3) Segurança Pública

4) Defesa Nacional

5) Infraestrutura

Educação,
Saúde, Segurança Públicas sofrem do mesmo mal básico: Má gestão, Gerenciamento
de baixa qualidade no uso dos Recursos, sejam Humanos, Financeiros ou
Tecnológicos.

Não
adianta colocar mais dinheiro nas mãos de um Sistema Ineficiente e Ineficaz.

A
solução não será incremental, (mais do mesmo), mas sim, por Ruptura, por Break
Through, por Choque.

Com
relação a Recursos Humanos – hoje a maior carência nacional pela sua natureza
estratégica -, estamos diante do Apagão de Mão de Obra, qualificada e não
qualificada e que,  para alguns setores,
é iminente.

O
resultados do último PISA, divulgados na semana passada, mostram o Brasil na
53ª posição num universo de 65 países.

E,
na média, atingimos o nível 2, numa escala de 1 a 7.

Mais
de 70% dos alfabetizados são analfabetos funcionais, pois não conseguem
entender e interpretar o texto lido.

Não
dá para jogar na 1ª Divisão sem Recursos Humanos preparados.

Educação
é nosso maior desafio e, por incrível que pareça, 74% dos pais dos alunos estão
satisfeitos com a Educação Pública, pois o seu referencial é baixíssimo (ter
vaga na escola e comer merenda é considerado grande avanço). É, realmente muito
bom mas absolutamente insuficiente para nossas necessidades.

Essa
surpreendente satisfação perante o resultado muito ruim, combinada com a
complacência e inação da Sociedade acabam validando o Sistema atual.

Por
analogia, o mesmo se passa com a Saúde Pública e com a Segurança Pública.

A
falta de Boa Gestão acarreta maus resultados e não será o aumento das verbas
públicas mantidos os mesmos sistemas, que conduzirá aos resultados que a Sociedade
quer receber.

E
permitam-me lembrar-lhes que Gerenciamento e Boa Gestão também tem a ver com
Engenharia.

Os
engenheiros têm muito a oferecer para esses setores estratégicos. (Ex. o PAS)

4) A
Defesa Nacional

O
quarto pilar fundamental da sustentabilidade de nosso desenvolvimento
corresponde às nossas necessidades atuais e futuras e decorre das
responsabilidades crescentes do Brasil ao entrar para a série A do Campeonato
Mundial.

A
dimensão de nosso território, a extensão de nossa fronteira seca, a Amazônia
com sua diversidade e, agora, a Amazônia Azul, nossa plataforma continental
(8.500km de costa), com a ocorrência do PRÉ-SAL, riqueza potencial ainda não
totalmente avaliada, tudo isso exige capacidade nacional em termos de
Defesa.

Além
disso, o papel a ser jogado pelo Brasil no mundo globalizado, com as
responsabilidades decorrentes de ser um dos “TOP 5 Countries”, torna
inescapável criarmos nosso dispositivo de Defesa Nacional (Complexo
Industrial-Militar), gerador de Tecnologia e capaz de produzir os equipamentos
necessários e capacitar os Recursos Humanos indispensáveis para operá-lo.

5) E
o que falar da Infraestrutura??

O
Brasil cresceu!…

Eu
comparo o Brasil a um jovem adulto, recém-saído da adolescência (20 anos!),
estuante em energia e saúde, sarado, fortíssimo, grande capacidade de arranque,
mas vestido com roupas apertadas, botina furada, de quando tinha 15 anos; ele mal
consegue se mexer.

É
preciso dar-lhe roupas e calçados adequados para usar sua condição física e
mental, com liberdade e plenitude de movimentos.

Ter
em mente que São Paulo se transformou no maior polo produtor do país, deixando de
ser apenas plantador de café, graças ao espírito empreendedor de sua gente
(nacional e imigrantes) e graças também à abundância de terra, água e energia, esta
última gerada em Henry Borden, criada pelos visionários canadenses no fim do
século XIX. (1.000MW, geradas aqui na esquina, na Billings)

O
retrato atual da oferta de energia, transportes, saneamento, sistema de TIC
(Tecnologia de Informação e Comunicação) é preocupante, para dizer o mínimo.

Vamos
ter que decidir – e já – como enfrentar esse desafio e, aí, só os recursos
públicos não têm dado e nem darão conta do recado.

É
preciso superar as barreiras ideológicas, corporativas e clientelistas e criar
as condições para a participação decisiva da iniciativa privada no provimento e
suprimento dessa infra para o desfrute de nossa sociedade.

O
caso mais visível, quase escandaloso, hoje em dia, é o dos Aeroportos
brasileiros.

Se
não for possível passar do monopólio estatal para a privatização, ao menos,
deveremos ir para as concessões e para as PPPs, como já se fez com as estradas
e com a L-4 do Metro, exemplos de São Paulo.

 

E
essa definição já está muito atrasada. É muito urgente, além de importante,
desatar esse nó!!

Poderíamos
nos estender sobre cada item da Infraestrutura, mas não é o caso de fazê-lo
aqui e agora.

Conclusão

Esses
pensamentos brotam do meu inconformismo face às nossas carências de décadas, ainda
não resolvidas por falta de uma ação mais direta e objetiva.

Mas
se a Coréia do Sul transformou-se em 30 anos, bem como a China, mantenho meu otimismo quanto ao nosso
futuro.

Em
Primeiro lugar, porque temos efetivamente melhorado muito nos últimos 200
anos.

Sim,
falei 200 anos!!

Sugiro
fortemente a leitura de 1808 e 1822, de Laurentino Gomes, para compreender a
importância das decisões e ações de figuras maiúsculas de nossa História.

Apesar
de vários hiatos dolorosos na marcha para o progresso, temos evoluído e,
principalmente nos últimos 20 anos, quando se estabeleceu uma continuidade nas
políticas macroeconômicas, melhorando as 2 condições essenciais para os
empreendedores: a estabilidade e a previsibilidade.

Meu
otimismo se apoia, em segundo lugar, na minha crença, na capacidade de o
Ser Humano, consciente e motivado, transformar-se a si próprio, melhorar-se.
Ainda mais, melhorado, transformar positivamente o seu entorno e, com sua ação,
fazer a diferença em favor da evolução.

E,
por último, mas não menos importante, creio firmemente que somos um país
predestinado, com forças poderosas nos ajudando a evoluir.

Mas
é indispensável que, como sociedade, façamos a nossa parte.

A
Profª Esther de Figueiredo Ferraz, a primeira mulher a ser Ministra (da
Educação), amiga desta Casa e advogada nossa em algumas causas, nos ensinou
muitas coisas, entre elas esse pensamento de Teillard de Chardin, um de seus
pensadores favoritos: “Tout ce que monte, se rencontre” “Tudo aquilo que se
eleva, promove o encontro, a união”, em tradução livre. Isto é, um objetivo
nobre e elevado, acima dos pequenos e grandes interesses pessoais, grupais,
partidários, como eu dizia, um objetivo elevado promove a união de todos em
busca de sua realização/alcance.

Desta
forma, homenageando a Dra. Esther, e reverenciando a sua memória, deixo a manifestação
de minha crença e de minha certeza.

O
Brasil tem sido um país generoso para os que aqui vivem, tem sido pródigo em
suas respostas ao plantio de boas sementes, tem sido tradicionalmente generoso
e aberto, capaz de acolher e abrigar os contrários e permitir-lhes viver em paz
e com dignidade em nosso território, ‘sob o manto do céu do Cruzeiro do Sul’,
nas palavras de Humberto Campos.

O
Brasil será um país ainda mais generoso e, também, será mais próspero e mais
justo para todos, desde que façamos um esforço coletivo e permanente para
atingir o estágio de desenvolvimento de que necessitamos e que, como sociedade,
merecemos.

Depende
de trabalharmos unidos, no concurso positivo de forças e capacidades, na busca
e na conquista desse novo patamar do desenvolvimento nacional.

Manifesto
minha serena confiança de que a Engenharia e os engenheiros terão papel
protagônico no esforço para alcançar esse tão elevado e tão nobre objetivo.

Deus
nos abençoe a todos e Deus abençoe o Brasil.

Muito
obrigado a todos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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