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Agência CBIC

13/01/2010

COP 15: AVANÇO OU FRUSTRAÇÃO?

A mídia nacional e internacional destacou com muita ênfase, na última semana, a frustração em que resultou a Conferência do Clima realizada pela Organização das Nações Unidas – ONU, entre os dias 7 e 18 de dezembro de 2009, na belíssima cidade de Copenhagen. A principal referência citada é o documento aprovado ao final, que de fato não traduziu a expectativa da maioria dos representantes dos 192 países presentes. Esperava-se que do evento fossem resultar medidas consistentes e objetivas para se combater as causas do aquecimento do planeta.

Estivemos presentes em Copenhagen durante a segunda e última semana da Conferência, a mais importante, e gostaríamos de fazer algumas observações que consideramos relevantes. Montado no extraordinário espaço denominado Bela Center, o evento abrigou, segundo as estatísticas oficiais, mais de 44 mil pessoas de todos os cantos do mundo, aí incluídos os delegados dos 192 países integrantes da ONU.

Ao longo de 15 dias foram realizadas centenas de palestras, conferências e reuniões, nas quais foram abordados os mais variados temas ligados à sustentabilidade. Tudo para mostrar o quanto o mundo está preparado, ou se preparando, para enfrentar a questão das mudanças climáticas, por meio da aplicação dos mais diversos conceitos, procedimentos, produtos e serviços. Em relação à indústria da construção e do mercado imobiliário, por exemplo, foram muitas as novidades ali apresentadas, todas elas direcionadas para a nova realidade da construção sustentável, da inovação tecnológica e dos chamados "empregos verdes".

O evento contou com a presença de aproximadamente 130 chefes de Estado ou de Governo, numa demonstração de que a preservação do meio ambiente está no centro das preocupações dos principais líderes mundiais. Diariamente, os delegados oficiais dos 192 países se reuniam no auditório central, para ouvirem e debaterem os temas em pauta. Lá estiveram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como representante do Brasil, e os primeiros mandatários de países como os EUA, Canadá, Inglaterra, França, Alemanha, Espanha, Dinamarca, China, Índia, Coréia, México, Argentina, Venezuela e Bolívia, entre outros.

Profissionais da diplomacia trabalharam, dedicada e competentemente, para que tudo funcionasse da melhor forma possível. Com organização quase perfeita – a exceção foi o confuso serviço de cadastramento dos participantes -, a COP 15 transcorreu sem maiores transtornos do lado de dentro do espaço Bela Center.

Foi curioso observar, em relação ao conteúdo dos debates, que as atitudes radicais e às vezes puristas de defesa da preservação do meio ambiente estão dando lugar a uma posição mais madura e objetiva, que adota como pressuposto básico o conceito do desenvolvimento sustentável. O que se percebe é que as teses preservacionistas só lograrão êxito, em médio e longo prazo, se obtiverem a adesão, por meio de um pacto, daqueles que são os responsáveis pela condução da política e da economia do planeta – e, muito especificamente, se os debates avançarem levando em conta a lógica do empreendedorismo.

Diante desses fatos e constatações, cabe a pergunta: a COP 15 pode mesmo ser considerada uma frustração, como se alardeia pelo mundo afora? Acreditamos que não, porque os ganhos são visíveis e irreversíveis. Mesmo em relação ao foco principal – a adoção de medidas para se combater a emissão de CO 2 nos próximos anos -, houve avanços importantes. Representantes dos países que mais poluem, caso dos Estados Unidos e da China, assumiram o compromisso público de trabalhar pela implantação de um novo modelo de desenvolvimento.

Fora do foco principal, os avanços foram ainda mais perceptíveis. Durante a COP 15, o mundo tomou conhecimento dos projetos já formatados, em diferentes países, com o objetivo de garantir a sustentabilidade do planeta. São produtos e serviços inovadores, enfim, técnicas e tecnologias que, se aplicadas corretamente, contribuirão para que os países possam se adaptar a essa nova realidade, alterando rotinas e comportamentos obsoletos.

Deve-se destacar, também, a forte presença do Brasil no evento. O presidente Lula – acompanhado da ministra-chefe da Casa Civil da Presidência, Dilma Rousseff, e do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e de extensa e representativa delegação – teve papel de protagonista no debate dos grandes temas, apresentando-se por duas vezes no plenário principal. Com autoridade e credibilidade, ele expressou o apoio do país à adoção de medidas para minimizar, com a urgência possível, as causas do efeito estufa. E cobrou dos países mais desenvolvidos, à frente os EUA, que façam o mesmo. Foi muito aplaudido…

De nossa parte, além de integrar a delegação brasileira, tivemos a honra de representar, em Copenhagen, juntamente com o companheiro Claudio Falasca, da Itália (CNEL), a Associação Internacional dos Conselhos Econômicos e Sociais e Instituições Similares – AICESIS, que reúne 59 entidades representativas da sociedade nos diversos continentes.

A AICESIS levou à COP 15 as decisões aprovadas em sua Assembléia Geral, realizada em Budapeste, na Hungria, ao mesmo tempo em que ressaltou a importância da participação da sociedade civil organizada em debates de temas dessa natureza, que afetam a todos. Algumas das posições formalizadas pela AICESIS durante o evento: 1) é urgente encarar o problema das mudanças climáticas; 2) as novas formas de governança terão que priorizar a justiça social, com ênfase na criação dos chamados "empregos verdes"; 3) devem-se adotar medidas para reduzir as desigualdades entre os países; 4) essas mudanças só serão possíveis se houver um aumento significativo dos investimentos em projetos e no desenvolvimento de novas tecnologias.

Por tudo isso, estamos convencidos de que – se visto sob essa ótica mais racional e objetiva – a COP 15 representou um avanço significativo no debate sobre a questão ambiental, lançando as bases para um grande acordo em futuro próximo. Basta lembrar que os entendimentos de Copenhagen terão seqüência ainda em 2010, durante a COP 16, a ser realizada no México.

Alguns conceitos saem reforçados pelo avanço dos debates de 2009. Os diversos países – pobres, desenvolvidos e em desenvolvimento – parecem convencidos de que a questão é grave e deve ser tratada como prioritária e urgente. Eles parecem conscientes, também, da responsabilidade de cada um no processo que irá determinar as mudanças necessárias para que possamos adotar um modelo de desenvolvimento mais equilibrado e sustentável, capaz de assegurar o conforto e o bem estar das futuras gerações.


Paulo Safady Simão

Presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção – CBIC e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social – CDES.
 

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