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Agência CBIC

08/11/2019

Coluna 'Construção em foco': Setor dá o primeiro passo

Algumas boas notícias proporcionam novos contornos para a economia neste final de ano e, sem dúvidas, o destaque inicial deve ser dado a aprovação da reforma da Previdência, considerada uma das mais importantes para o equilíbrio fiscal do País. Essa iniciativa gera um novo ânimo no cenário macroeconômico e certamente poderá contribuir para fortalecer os investimentos.

Outros exemplos também merecem ser destacados. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério da Economia, revelam que o emprego formal no Brasil apresentou incremento em setembro de 2019, registrando saldo de 157.213 novos postos de trabalho. Foi o sexto resultado positivo seguido e o melhor para o mês desde 2013. No acumulado dos primeiros nove meses do ano foram criados 761.776 empregos.

No rol de notícias alentadoras também está a redução da taxa Selic para 5% ao ano, a décima quinta consecutiva e um novo piso histórico. E o que é melhor, pela expectativa do mercado este ainda não será o último movimento do ano. Em dezembro, esta taxa poderá atingir 4,5%, o que equivale a 0,37% ao mês, um patamar que certamente não faz parte do cotidiano do mercado financeiro.

A inflação medida pelo IPCA/IBGE, que acumulou nos últimos 12 meses encerrados em outubro elevação de 2,54%, também está na lista dos resultados animadores. As estimavas sinalizam que o referido indicador registrará alta de 3,29% em 2019, portanto bem abaixo do centro da meta (4,25%).  Neste contexto, as perspectivas de crescimento da economia neste ano retornam para perto de 1%.

Na lista de notícias mais vigorosas é necessário incluir, especialmente, a Construção Civil, que voltou a registrar alguns resultados positivos. Particularmente no mercado de trabalho, de janeiro a setembro o setor foi responsável pela criação de 116.530 novas vagas com carteira assinada, o que representou a expansão de quase 6% em seu número de trabalhadores formais, conforme dados do Caged. Observa-se que 19, das 27 capitais do País, registraram resultados positivos na geração de vagas formais no setor. O destaque ficou por conta da capital mineira, responsável pela criação de 13.580 novas vagas, seguida por São Paulo e Salvador.

No mercado imobiliário, conforme pesquisa realizada pela Brain Consultoria para a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o número de unidades vendidas no País apresentou incremento de 12% no primeiro semestre de 2019 na comparação com igual período de 2018. Os lançamentos também registraram alta: 15,4%. Neste cenário é necessário ressaltar o baixo patamar de oferta de unidades novas disponíveis para comercialização, o que abre uma janela de oportunidades para o próximo ano. Em junho de 2018 o estoque disponível era de 121.572 unidades, enquanto em junho de 2019 esse número foi reduzido para 111.055 unidades. Nesse quadro chama atenção a queda da taxa de juros para o financiamento imobiliário realizada pela Caixa Econômica Federal e pelos bancos privados, o que certamente contribui para uma maior expansão do crédito.

Conforme dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) o crédito imobiliário com recursos da caderneta de poupança mostra incremento. De janeiro a setembro de 2019 foram aplicados R$ 54,7 bilhões na aquisição e construção de imóveis com recursos da poupança, elevação de 34,1% em relação a igual período de 2018.  Esses fatores ajudam a aumentar a confiança dos empresários.

Segundo a Sondagem Nacional da Indústria da Construção, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria, com o apoio da CBIC, o Índice de Confiança do Empresário da Construção em 2019 está se mantendo em patamar acima de 50 pontos, o que sinaliza confiança. Outro dado importante apresentado pela Sondagem: o setor registrou, em setembro, 62% de utilização de capacidade de operação, o melhor resultado desde dezembro de 2014. Isso significa que a ociosidade reduziu. Além disso, o referido trabalho demonstra que os empresários estão com expectativas positivas para novos empreendimentos e serviços e para compra de insumos.

Sem dúvidas são notícias animadoras, mas que não deixam dúvidas que esse é somente o primeiro passo de uma longa caminhada. Basta lembrar que de 2014 a 2018 a Construção registrou queda de 27,7% em seu PIB. O atraso dos pagamentos do Programa Minha Casa, Minha Vida, as alterações nas regras do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), a escassez de recursos para novas contratações de empreendimentos de habitação popular, voltadas para as famílias de baixa renda, a elevada carga tributária e a burocracia excessiva são algumas das questões que comprometem a evolução positiva do setor.

Também é necessário destacar a urgência dos investimentos em infraestrutura. Conforme o Fórum Econômico Mundial, o Brasil ocupa a 116ª posição no quesito qualidade da infraestrutura rodoviária, em um ranking de 141 países. Estudo recente divulgado pela Confederação Nacional do Transporte revela que o País gasta, em média, 28,5% a mais do que deveria para a realização de transporte por rodovias de insumos, bens de produção e bens de consumo em função de problemas no pavimento. As deficiências em infraestrutura prejudicam a produtividade e o crescimento nacional.

Essas são algumas das questões que evidenciam que o País precisa da Construção Civil para fortalecer o seu desenvolvimento e demonstram que ainda há muito a ser feito. A reforma da Previdência sozinha, no que pese toda a sua importância, não é suficiente para mudar a rota dos investimentos. Ela proporciona novas esperanças, mas novas reformas são necessárias. Em especial é necessário destacar a importância da reforma Tributária, que é essencial para o País alcançar um ambiente de negócios mais seguro, produtivo e eficaz.

 

Coluna assinada por IedaMaria Pereira Vasconcelos, economista da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e assessora econômica do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG).

*Textos divulgados neste espaço, não necessariamente correspondem à opinião institucional da CBIC.

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