AGÊNCIA CBIC
CBIC leva à Fazenda e ao Banco Central propostas de aprimoramento do SBPE
O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Eduardo Aroeira, e o vice-presidente da Comissão da Indústria Imobiliária (CII), Ely Wertheim, cumpriram agendas nesta terça-feira (29), no Ministério da Fazenda e no Banco Central, para discutir o novo modelo do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e apresentar propostas para o aprimoramento do crédito imobiliário. Entre os principais pontos ressaltados nos encontros estiveram a importância da manutenção do teto de juros de 12% ao ano e a necessidade de maior transparência e divulgação dos dados do novo modelo, especialmente das informações relacionadas ao financiamento da classe média.
O novo modelo do SBPE está em fase de transição e testes ao longo de 2026, antes da entrada em vigor integral prevista para 1º de janeiro de 2027. Nesse contexto, a CBIC defende que o período de teste seja estendido até o fim de 2027, permitindo acompanhar os resultados do modelo e realizar eventuais aprimoramentos antes de sua implementação integral.
“Tivemos uma boa conversa e ressaltamos principalmente dois pontos: a importância da manutenção do teto de 12% e a necessidade de ampliar a divulgação e a transparência dos dados do novo modelo do SBPE, especialmente aqueles relacionados à classe média. É importante que toda a sociedade consiga acompanhar os resultados e a evolução do sistema”, afirmou Eduardo Aroeira.
Durante os encontros, os representantes da CBIC destacaram que a modernização do SBPE já apresenta resultados positivos, mas defenderam aperfeiçoamentos diante do atual cenário de juros e das dificuldades enfrentadas pelas famílias de renda média para acessar o financiamento habitacional.
Outra proposta é ampliar de 80% para 90% o direcionamento dos recursos para o financiamento residencial, mantendo 10% para outras operações imobiliárias. Segundo a estimativa apresentada, a mudança poderia acrescentar R$ 75 bilhões em recursos para financiamentos residenciais com taxas de até 12% ao ano, destinados a imóveis de até R$ 2,25 milhões.
A composição da oferta imobiliária ajuda a dimensionar a preocupação da CBIC com o acesso da classe média ao crédito. Dados apresentados nas reuniões mostram que esse segmento concentra 61% da oferta final de imóveis no país.
Para Ely Wertheim, a combinação de juros elevados por um período prolongado e a deterioração da capacidade financeira das famílias tem dificultado a comercialização desses imóveis.
“A reformulação está produzindo efeitos positivos, mas, de um ano para cá, tivemos um agravamento muito grande da situação da classe média. Estamos falando de vários anos de juros elevados, que reduziram a capacidade financeira dessas famílias. Por isso, estamos trazendo sugestões de aprimoramento do SBPE para continuar avançando e dar um novo impulso ao financiamento da classe média”, afirmou.
Os dados apresentados mostram sinais positivos no financiamento imobiliário no âmbito do SBPE em 2026. Entre janeiro e julho, o volume total de financiamentos para aquisição e construção chegou a R$ 115,5 bilhões, crescimento de 36% em relação aos R$ 84,8 bilhões registrados no mesmo período de 2025. O número de unidades financiadas passou de 246,4 mil para 337,8 mil, alta de 37%.
Na aquisição de imóveis, o volume financiado aumentou 18%, de R$ 69,2 bilhões para R$ 81,7 bilhões. Já os recursos destinados à construção mais que dobraram, passando de R$ 15,6 bilhões para R$ 33,8 bilhões, avanço de 117%.
Os números reforçam a avaliação apresentada nas reuniões de que o novo modelo já começa a produzir efeitos. Entre janeiro e julho deste ano, foram utilizados R$ 9,84 bilhões em recursos de tesouraria para financiar a produção e a aquisição de imóveis, resultado apontado no material apresentado como uma evidência do funcionamento do novo SBPE.
Fazenda e Banco Central avaliam propostas
Durante as agendas, representantes do Ministério da Fazenda e do Banco Central sinalizaram que as questões apresentadas pelo setor estão em análise, especialmente diante da transição prevista para o novo modelo do SBPE.
Na Secretaria de Reformas Econômicas (SRE) do Ministério da Fazenda, a avaliação foi de que o financiamento imobiliário está entre os temas acompanhados pela equipe e que as preocupações apresentadas pelos empresários serão consideradas nas discussões em andamento.
O Banco Central analisa os possíveis impactos das mudanças e considera que eventuais ajustes precisam ser definidos antes da entrada em vigor das novas regras.
Nas reuniões, a CBIC reforçou que as propostas buscam preservar os avanços alcançados com a modernização do SBPE e, ao mesmo tempo, criar condições para ampliar o acesso ao crédito habitacional, sobretudo para a classe média, em um cenário ainda marcado por juros elevados.





















































































