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AGÊNCIA CBIC

14/10/2026

CBIC debate temas estratégicos e cenários para o setor em reunião do Conselho Administrativo

A conjuntura econômica, as mudanças regulatórias e as perspectivas de negócios para a construção estiveram entre os temas da reunião do Conselho de Administração da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), realizada nesta quarta-feira (14), na sede do Sinduscon-DF, em Brasília. O encontro reuniu lideranças do setor para discutir pautas como Reforma Tributária, redução da jornada de trabalho, financiamento habitacional, sustentabilidade e oportunidades na Margem Equatorial brasileira.

Na pauta da Reforma Tributária, Luís Henrique Macedo Cidade, relações governamentais e institucionais da CBIC, apresentou os avanços nas discussões com a Receita Federal sobre as contribuições encaminhadas pela entidade. A CBIC havia apresentado um documento com 58 pontos de ajuste e voltou a defender suas propostas, além de solicitar o adiamento do processo. “É bem provável que haja mudanças na Reforma, porque ainda estamos num processo de entendimento e disseminação sobre essas mudanças. Nós teremos em 2027 um novo momento da Reforma Tributária”, afirmou o presidente-executivo da CBIC, Fernando Guedes Ferreira Filho, durante o debate.

Outro tema de destaque foi o estudo da economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, sobre os possíveis efeitos da redução da jornada de trabalho na construção civil. Segundo a análise apresentada, a diminuição das horas trabalhadas pode ampliar a necessidade de mão de obra em um cenário de custos já pressionados. A estimativa discutida aponta uma redução de 208 horas anuais por trabalhador com carteira assinada e a necessidade de cerca de 300 mil profissionais adicionais para recompor a capacidade de trabalho do setor. “O que podemos enfrentar é um aumento da contratação de uma mão de obra que não existe no país”, alertou Ieda.

O financiamento imobiliário foi outra frente de discussão. O presidente da CBIC, Eduardo Aroeira, destacou as iniciativas da CBIC para ampliar o teto de financiamento do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR) e buscar alternativas de recursos para atender à classe média. A entidade também tem discutido com o Ministério da Fazenda e o Banco Central o novo modelo do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Entre as propostas estão a manutenção do teto de juros de 12% ao ano, maior transparência sobre os dados do sistema e a extensão do período de testes do novo modelo até o fim de 2027, antes de sua implementação integral. “Financiamento é uma das grandes ações estruturantes da CBIC”, apontou Aroeira.

As oportunidades ligadas à Margem Equatorial brasileira também estiveram em discussão. O vice-presidente de Obras Industriais da CBIC, Ilso de Oliveira, apresentou as ações da Comissão de Obras Industriais e Corporativas (COIC) e antecipou um estudo sobre as possibilidades para a construção na região, que se estende pela costa Norte e Nordeste, entre o Amapá e o Rio Grande do Norte. O levantamento deverá ser apresentado no 16º Roadshow, marcado para 27 de outubro, em Goiânia. Segundo Ilso, a nova fronteira de exploração de petróleo e gás pode gerar oportunidades para diferentes segmentos da engenharia e da construção. Foi proposto entre os participantes que o tema se torne um projeto da CBIC, liderado pela COIC em conjunto com outras comissões.

A reunião também abordou a adesão da CBIC ao Programa Destrava, coordenado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que busca soluções para a retomada de obras públicas paralisadas, especialmente hospitais, escolas e creches. “É uma iniciativa que reúne questões jurídicas e de obras paradas de hospitais e creches”, afirmou o presidente-executivo da CBIC. A entidade pretende contribuir com propostas para reduzir as paralisações e seus impactos econômicos e sociais.

Na agenda de sustentabilidade, o vice-presidente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CBIC, Nilson Sarti, discutiu a Taxonomia Sustentável Brasileira e a preparação das empresas para acessar fundos verdes, reduzir emissões de carbono e incorporar critérios ambientais aos negócios. Também foram apresentadas as atividades realizadas pela CBIC no último mês, incluindo a adesão de duas empresas ao Programa Sócio Colaborador e reuniões com o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) e a Abrace Energia.

A valorização dos trabalhadores da construção civil também entrou na pauta. A vice-presidente de Responsabilidade Social da CBIC, Maria Inês Menegotto de Campos, defendeu a mobilização das entidades do setor para a criação de um Dia Nacional dedicado aos profissionais da construção. A proposta busca ampliar o reconhecimento da importância desses trabalhadores e tornar a atividade mais atrativa diante da dificuldade de contratação de mão de obra. “É importante colocar isso na pauta e mobilizar nossas entidades para que esse dia aconteça e seja gigante. Isso para o setor é ouro”, disse.

O Conselho ainda discutiu a preparação da Agenda da Indústria da Construção aos Presidenciáveis 2026, com prioridades para o próximo governo, e acompanhou uma apresentação de Leonardo Barreto sobre as perspectivas para o cenário eleitoral. Participaram da reunião, entre outras lideranças, o vice-presidente financeiro da CBIC, Alfredo Brêda; o vice-presidente administrativo, Marcos Mauro; e o presidente do Conselho Consultivo, Renato Correia.

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