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10/12/2010

Câmbio põe indústria distante da retomada

CBIC Clipping

10/12/2010 :: Edição 024

Jornal Estado de Minas/MG|   /10/12/2010
 

Câmbio põe indústria distante da retomada

Brasília –  Com o emprego e a produção se recuperando lentamente, a contribuição da indústria para o PIB do terceiro trimestre de 2010 foi negativa. O recuo de 1,3% em relação ao trimestre anterior mostra o quanto a enxurrada de importações e o dólar barato foram prejudiciais para que a retomada fabril pós-crise econômica fosse mais consistente.

 "O país está aberto", disse o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, prevendo o crescimento das importações ao longo dos próximos anos. "Temos um problema de câmbio, uma defasagem importante, que faz com que seja fácil importar". Para o ministro, as compras no exterior têm como objetivo a modernização da indústria e o aumento da capacidade de produção, já que 70% do volume são de máquinas, equipamentos e insumos. "Não importamos bens de consumo, bonecas, brinquedos, etc", afirmou. "As empresas estão se modernizando, estão aumentado a capacidade produtiva, e isso vem resultar em indústria melhor no país."

 No entanto, o setor produtivo criticou duramente o câmbio. Para o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre ficou abaixo do esperado. "Essa redução do crescimento da indústria está ligada à importação de produtos manufaturados, de bens de consumo duráveis", analisou Andrade. Para ele, a queda no PIB industrial é um alerta para a necessidade de país adotar medidas de curto prazo na área de câmbio e de crédito, além de reduzir a carga tributária.

 "A demanda aumentou e a produção industrial diminuiu. O crescimento da demanda vem sendo atendida pelos importados. Isso é um efeito claro da taxa de câmbio valorizada, que barateia artificialmente o produto importado prejudicando a produção e o emprego", afirmou Paulo Skaf, presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp). "O problema é que essa situação cambial pode comprometer o crescimento no próximo ano – uma questão que precisa ser corrigida pelo novo governo", alertou Skaf.

 "A indústria nunca viveu um momento tão fundamental no que envolve a reforma tributária. Estamos perdendo competitividade absurdamente. No governo Lula, a verdade é que poucos órgãos deram prioridade para a indústria", afirmou o presidente da Abinee, Humberto Barbato.

 Mas, no acumulado do ano até setembro, o crescimento industrial chega a 12,3% (R$ 223,6 bilhões), enquanto em relação a igual trimestre de 2009 foi de 8,3%. Um dado positivo é a arrancada da construção civil. No confronto dos terceiros trimestres deste ano e o de 2009 indica uma taxa positiva de 9,6%. O resultado teve forte influência do crédito, que continua sendo ofertado em níveis elevados, e do aumento da ocupação.

 "Nós, da construção civil, não concordamos com o parâmetro usado pelo IBGE para avaliar o desempenho do setor", reclamou José Carlos Martins, vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

 COMO OS RICOS

 Os dados do PIB revelam que a economia do Brasil está cada vez mais parecida com a dos países desenvolvidos. Não à toa, o setor de serviços ampliou sua relevância na composição do PIB e já representa quase 60% da geração de riquezas do país. O segmento foi o único que ofereceu contribuição positiva para a economia do lado da oferta no terceiro trimestre do ano, em relação ao segundo. O volume de recursos movimentados apenas por esse segmento passou de R$ 513,6 milhões para R$ 529,8 bilhões no período, aumento de 1%. A agropecuária e a indústria apresentaram quedas de 1,5% e 1,3%, respectivamente.

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