AGÊNCIA CBIC
Ator Dan Stulbach leva debate político de forma bem humorada para o ENIC
Em 1969, quatro atentados terroristas acontecem na Itália – dois em Milão, dois em Roma –, causando a morte de dezenas de pessoas. Quatro anarquistas suspeitos do crime são interrogados pela polícia e, pouco depois, um deles aparece morto na frente da delegacia. Baseado nesses fatos reais, a peça “Morte Acidental de um Anarquista”, do escritor italiano Dario Fo, investiga se a morte é resultado de um suicídio, acidente ou assassinato. O texto, hoje um clássico do teatro europeu, levou à instauração de um inquérito real dez meses após sua estreia nos palcos italianos. O caso foi solucionado apenas em 2005.
“A história aborda um caso mal resolvido pela polícia, enquanto o povo quer um julgamento correto. Assim, Dario inventa um juiz para investigar esse caso. O que as pessoas não sabem é que se trata de um louco que tem a doença de interpretar diferentes papéis”, explica o ator Dan Stulbach, estrela principal da comédia, que vive cinco personagens em 80 minutos de espetáculo.
Esse tom de farsa leva o público a refletir e discutir sobre ética, desigualdade de direitos e sutilezas da aplicação das leis.
Exatos 45 anos após a produção desse clássico do teatro europeu, os questionamentos são pertinentes ao atual momento histórico brasileiro. Motivo pelo qual o Fórum de Ação Social e Cidadania (FASC/CBIC) e o SESI Nacional levaram a peça para o 88º Encontro Nacional da Indústria da Construção (ENIC), em Foz do Iguaçu. “O espetáculo é uma forma lúdica de as pessoas entenderem o conceito de ética na sociedade”, comenta José Carlos Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
O principal personagem de Dan Stulbach, o Louco, “questiona o poder e como as coisas são feitas. Questiona-se também a corrupção, o apadrinhamento de pessoas, o acobertamento de dados… Infelizmente, tem tudo a ver com a gente, com nossa situação hoje. Mas esperamos que deixe de ter”, comenta o ator.
Outro de seus personagens é o Juiz, que aborda especialmente o aspecto da ética e dita como uma correta investigação deve ser feita. "Vivemos um momento no Brasil em que o Poder Judiciário traz muitas questões, e é assim na peça, curiosamente”. Esse papel leva ainda à reflexão do “jeitinho brasileiro”; de como a população pode ser enganada; da violência, manipulação e jogo psicológico por parte das forças policiais; do real valor das pessoas; e de como algumas investigações “acabam em pizza”.
Analisando o papel da imprensa em tudo isso, o personagem Capitão critica a forma em que os acontecimentos e fatos tornam-se espetáculos na mídia. “O povo vive do escândalo. É muito mais fácil se resolver algo via escândalo do que via verdade”, comenta o presidente José Carlos Martins. O texto, por sinal, ressalta que o escândalo é a tomada de consciência do povo, condição necessária para mudanças do status quo.
Esta é a segunda montagem da peça influenciada pelo contexto corrente. A primeira versão foi realizada em 1982 por Antônio Fagundes. “Naquela época, estávamos no final da ditadura e querendo as Diretas Já. Hoje, estamos realmente em outra pegada, mas também de manifestação, inquietação, pedidos de renovação, além de muita participação política”, explica Dan Stulbach, comemorando a positiva participação e formação política decorrente disso.























































































