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AGÊNCIA CBIC

12/03/2015

Mudanças na construção e incorporação de P&D elevam a taxa de investimentos

"Cbic"
12/03/2015

Valor Econômico – 12 de março

Mudanças na construção e incorporação de P&D elevam a taxa de investimentos

Por Denise Neumann, Robson Sales e Vanessa Jurgenfeld | De São Paulo e do Rio 

 A revisão dos dados do PIB dos anos de 2001 a 2011 mostrou que a taxa de investimento da economia brasileira foi maior nos últimos anos e isso aconteceu tanto pelo incremento do setor da construção como pela incorporação dos gastos com pesquisa e desenvolvimento. Além disso, o ano de 2011 mostrou outras revisões importantes, como um resultado bem melhor para a indústria de transformação.

 Em toda a série revisada (por enquanto foram divulgados dados novos de 2001 a 2011 e no fim de março sairão novos valores para os dados trimestrais de 1995 até 2014), por enquanto, as maiores mudanças aconteceram em 2011, cujo crescimento passou de 2,7% para 3,9%. O crescimento da indústria foi o que mais surpreendeu, ao passar de uma alta de 1,6% para 4,1%, com o setor de transformação indo de 0,1% para 2,2%, mas o segmento de construção também ajudou bastante, pois sua alta foi revista de 3,6% para 8,3%.

 Tanto em 2010 como em 2011, a taxa de investimento como proporção do PIB aumentou mais de 1 ponto e chegou a 20,6%. Em valores de 2011, a formação bruta de capital fixo somou R$ 900 milhões, dos quais 9,9% foram relativos a "propriedade intelectual", justamente o grupo que antes não era contabilizado como investimento. Esse grupo reúne gastos com pesquisa e desenvolvimento, prospecção mineral e de petróleo e software, entre outros.

 De acordo com Rebeca Palis, coordenadora do sistema de Contas Nacionais (a área do IBGE que cuida do cálculo do PIB), três fatores explicam o crescimento adicional agora mapeado no PIB de 2011. O principal deles foi a revisão no cálculo da construção civil, que passou a incluir a evolução da remuneração dos trabalhadores do setor. Outro fator foi a energia, pois o IBGE passou a analisar o consumo das térmicas na produção do insumo, e como em 2011 houve menor uso das termelétricas, o gasto para produzir energia foi inferior, o que acabou adicionando valor ao PIB.

 O terceiro fator, diz Rebeca, foram as alterações na avaliação da saúde pública, que ao incorporar procedimentos mais complexos elevou o valor do PIB do setor.

 No caso da indústria de transformação, o dado de 2011 trouxe para dentro do PIB a nova Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF) – que ampliou a cobertura e reponderou os setores – e os dados da Pesquisa Industrial Anual (PIA) de 2010 e 2011. O economista-chefe da LCA, Bráulio Borges, em estudo publicado pelo Valor , havia apontado que as pesquisas anuais da indústria nos anos de 2010 a 2012 traziam uma trajetória mais benigna para o setor do que aquela que estava registrada no PIB até então.

 Para o diretor de estudos e políticas macroeconômicas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Claudio Hamilton dos Santos, o avanço da construção no investimento foi um dos aspectos mais importantes mostrados pelos novos dados de 2011. Para ele, é como se antes da revisão a realidade tivesse sido enxergada com óculos distorcidos, pois infraestrutura e construção civil em geral estavam sendo muito mal mensuradas. "É como um termômetro com defeito. Você achava que o paciente estava pior do que estava", afirmou.

 Santos acredita que esses efeitos positivos da construção também vão ocorrer em relação aos dados de 2012 e 2013 porque 2012 foi justamente o ano em que ocorreram os principais leilões de infraestrutura e os investimentos do programa Minha Casa, Minha Vida.

 Antonio Corrêa de Lacerda, professor da PUC-SP, entende que o crescimento da indústria mostrado em 2011 também deve ser observado. Embora o crescimento não altere o quadro de desindustrialização relativa, ele acredita que os novos números podem indicar que o fenômeno não é "tão intenso quanto se imaginava".

 Na opinião do pesquisador do Ibre/FGV e ex-diretor de Contas Nacionais do IBGE, Claudio Considera, a construção teve um crescimento maior do que o esperado. Ele elogiou a nova metodologia do IBGE, que passou a incluir a remuneração da mão de obra como item de produção, o que alavancou o resultado do setor. "É uma forma melhor de calcular [as Contas Nacionais], a outra era muito precária. O IBGE fez mais do que os outros países fizeram".

 Na avaliação de Santos, do Ipea, as novas Contas Nacionais mostram que a situação do país em geral está um pouco melhor e podem ajudar o estado de expectativa da economia como um todo. Mas ressalva que as novas contas não mudam o fato de que 2015 segue sendo um ano difícil, com um "ajuste que não é simples de se fazer".

 Apesar das revisões para cima apontadas pelo instituto, o quadro do país segue o mesmo: o de uma economia fraca, afirma Francisco Lopreato, professor da Unicamp. Ele disse que as novas contas mudam pouco as expectativas dos empresários quanto aos investimentos futuros. "Essa revisão é como um farol que ilumina para trás. Algo deixa de ser tão ruim. Mas o que mais nos interessa é o que vem pela frente", afirmou. "Enquanto houver esse quadro político de terceiro turno, ele prejudicará as decisões de investimentos dos empresários", acrescentou.

 

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