Logo da CBIC

AGÊNCIA CBIC

28/11/2011

Micro e pequenas empresas despertam para ações de sustentabilidade

"Cbic"
28/11/2011:: Edição 225

 

Correio Braziliense.com.br/BR 27/11/2011
 

Micro e pequenas empresas despertam para ações de sustentabilidade

Embora a ideia de sustentabilidade empresarial esteja fortemente ligada às médias e grandes corporações, muitas micro e pequenas empresas (MPEs) já se esforçam para provar que é possível ser sustentável por meio de uma mudança de atitude e de um estilo de gestão, independentemente do resultado no faturamento do caixa. Simples ações no dia a dia ajudam a preservar o meio ambiente, a sobreviver financeiramente e a conviver de forma mais harmônica com os funcionários e com a comunidade.
 E são essas três dimensões – a ambiental, a econômica e a social – que formam o tripé da sustentabilidade corporativa (veja quadro), conceito bastante difundido entre especialistas da área.
 A despeito do aumento da parcela de consumidores mais conscientes, a parte verde desse modelo ainda é deixada de lado por empreendedores que enxergam como gastos extras as ações voltadas à redução dos impactos negativos. "A sustentabilidade não pode ser vista como uma despesa, mas um investimento. Quando a empresa gera menos resíduos, o preço do produto cai e ela se torna mais competitiva", defende Flávia Firme, gerente de acesso a inovação e tecnologia do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Distrito Federal (Sebrae-DF).
 Investir foi a decisão do administrador Rogério Mazer, 47 anos, proprietário do restaurante natural Green"s. "Comprei lixeiras para a coleta seletiva, instalei um papa-pilhas, redimensionei os espaços nas cozinhas, treinei funcionários. Não ganhei nada em dinheiro, mas sei que o retorno vem aos poucos, e a recompensa emocional faz com que a gente se sinta melhor", analisa o comerciante, que ainda aderiu à proposta da Ecolimp, empresa que coleta o óleo de cozinha em troca de produtos biodegradáveis de limpeza.
 A consciência ambiental de Rogério e da equipe que ele coordena veio com o tempo. "Por trabalharmos com alimentação saudável, o público tem essa percepção e passa a cobrar da gente. Então, é um estilo de vida que queremos ter, para que a pessoa que coma aqui tenha orgulho", afirma. Este semestre, o estabelecimento lançou uma promoção em que distribui aos clientes um adesivo de carro com as palavras "reduza, reutilize, recicle". "Fotografamos o automóvel quando o vemos na rua, anotamos a placa e fazemos um sorteio de uma refeição grátis por semana", conta Rogério. Mas o empresário admite que a campanha vai além do interesse em conscientizar a população: é uma estratégia de marketing.
 Agregar valor à marca, aliás, é uma das vantagens percebidas por uma empresa que dá atenção à perna ambiental do tripé da sustentabilidade. Mostrar ao consumidor que aquela corporação se preocupa com o meio ambiente e adota procedimentos internos para economizar os recursos naturais  aumenta a competitividade e é um fator de fidelização. "Aí, a gente começa a entrar numa linha em que o cliente vai se lembrar daquele microempresário não só pelo serviço, pelo preço e pelo atendimento, mas também pelas ações que ele realiza para gerar uma qualidade de vida melhor para o cidadão", aponta o consultor de empresas Mauro Castro, que também é professor de administração e marketing no Centro Universitário de Brasília (Uniceub).
 Dificuldades
 De acordo com Flávia Firme, do Sebrae, o principal obstáculo para a adoção de medidas sustentáveis é a falta de informações. Para driblar essa barreira, o administrador Eduardo Pereira dos Santos, 41 anos, foi à internet buscar ajuda. "Sempre tive essa preocupação com o meio ambiente, mas não sabia direito o que fazer. Queria plantar árvores", lembra o dono da Body Island, multimarca de moda esportiva e praia. Ele encontrou o site da organização não governamental Amigos do Futuro, que o ajudou a criar um programa de gestão ambiental – a partir de um diagnóstico dos impactos causados pela loja, a ONG listou o que poderia ser feito para minimizá-los.
 Eduardo e as sócias, Rejane Santos e Rose de Almeida, perceberam que o trabalho extrapolaria o plantio de mudas, mas nem por isso seria inacessível. O trio implantou soluções como a instalação de temporizadores de luz nas vitrines e de sensores nos estoques; o uso de cartuchos e papéis reciclados para a impressão; a troca de parte das embalagens de plástico por sacolas de papel reciclado; a adoção de squeezes (garrafas reutilizáveis) para os funcionários. Para transferir as mercadorias entre as duas lojas que o trio possui em Brasília, a equipe lança mão de uma ecobag (bolsa de tecido). "A gente acaba educando. Não só os clientes, mas também os vendedores. Isso é muito bacana", analisa Eduardo, que também aproveita para valorizar a marca da empresa por meio da divulgação das ações para a clientela – com mensagens nas sacolas, na fachada e durante as vendas.
 O reflorestamento, como o administrador havia previsto, também ocorreu. Depois de um levantamento sobre a emissão de gases de efeito estufa da loja multimarcas, a compensação veio em forma de plantio de árvores em uma área próxima a Sobradinho. A professora de responsabilidade socioambiental e diretora da Amigos do Futuro, Rejane Pieratti, adverte que trabalhos desse tipo devem ser constantes: "Não tem receita. Depende da empresa, mas é preciso manter o plano de gestão ambiental de forma contínua. É mudar a cultura do local".
 Participação insconsciente » Para avaliar o nível de percepção dos pequenos empreendimentos sobre sustentabilidade e meio ambiente, o Sebrae fez uma sondagem, em junho deste ano, com 3.085 empresários dos segmentos de comércio e serviços (83%), indústria e construção civil (12%) e agronegócio (5%).
 » Cinquenta e oito por cento dos entrevistados afirmaram não ter conhecimento sobre o tema, mas, na prática, 61% a 80% deles já realizam, ainda que de forma inconsciente, algum tipo de ação sustentável, como controle do consumo de energia, água e papel. Apenas 29% disseram saber muito sobre sustentabilidade e meio ambiente, 3% avaliaram como médio esse nível de conhecimento e aproximadamente 10% definiram como baixo.
 » Para 47%, a questão ambiental representa oportunidades de lucro; para 13%, essa questão está relacionada a custos e despesas; e para 40%, nem ganhos, nem gastos. Segundo a conclusão do relatório, esses números significam que há necessidade de melhor esclarecimento quanto às vantagens obtidas por meio da sustentabilidade empresarial.
"Cbic"

 

COMPARTILHE!

VEJA TAMBÉM

Calendário

Seg

Ter

Qua

Qui

Sex

Sab

Dom

Parceiros e Afiliações

Associados

 
 

Clique Aqui e conheça nossos parceiros

Afiliações

 
 
Visão geral da privacidade

Este site usa cookies para que possamos fornecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.