AGÊNCIA CBIC
CII debate financiamento habitacional, Reforma Tributária e perspectivas do mercado imobiliário
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) realizou, nesta quinta-feira (22), em São Paulo, a Rodada de Negócios do Mercado Imobiliário, com representantes do setor para discutir o cenário político e econômico, os impactos da Reforma Tributária e os desafios do financiamento habitacional. Por meio da Comissão da Indústria Imobiliária (CII), o encontro foi conduzido pelo presidente da CBIC, Eduardo Aroeira, e pelo vice-presidente da Área de Indústria Imobiliária da entidade, Ely Wertheim.
A programação abordou as perspectivas para as eleições de 2026, as mudanças no sistema tributário, o financiamento com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e da poupança, além dos indicadores do mercado imobiliário e do cenário econômico.
Reforma Tributária e cenário político
O debate sobre o cenário político contou com a participação de Pedro Krahenbuhl, diretor de Relações Institucionais do Secovi-SP; Luis Henrique Cidade, Relações Institucionais da CBIC; e Leonardo Barreto, cientista político.
Na discussão sobre a Reforma Tributária, foram abordados os desafios de adaptação das empresas às novas regras e a necessidade de definições sobre a implementação do novo sistema. Luis Henrique Cidade chamou a atenção para a falta de consenso sobre conceitos importantes entre os órgãos envolvidos.
“Nós temos dois meses para a entrada em vigor da reforma e não temos ainda um fórum constituído por estados e municípios de um lado e Receita Federal do outro que concorde com conceitos”, afirmou Cidade, ao destacar a necessidade de tempo para que as empresas adaptem seus sistemas.
Rodrigo Dias, integrante dos conselhos jurídicos do SindusCon-SP e do Secovi-SP, também participou das discussões sobre os aspectos tributários e os ajustes necessários à implementação das novas regras.
Financiamento habitacional e FGTS
O financiamento habitacional foi outro eixo central da rodada. Luis Fernando Mendes, economista e assessor técnico da CII e da Comissão de Habitação de Interesse Social (CHIS) da CBIC, apresentou dados sobre o desempenho do crédito imobiliário nos primeiros oito meses do ano.
No período, os financiamentos destinados à aquisição e à construção cresceram 3,2% em relação aos mesmos meses do ano anterior. O crédito para construção avançou 6,2%, enquanto o destinado à aquisição de imóveis teve alta de 2,4%.
Mendes destacou a importância de ampliar as fontes de recursos para sustentar o financiamento habitacional. “Como o FGTS bateu no teto em termos de capacidade de aumentar o orçamento, seja de financiamento ou de desconto, o Fundo Social é um instrumento importante para continuar crescendo o volume de financiamento”, afirmou.
Clausens Duarte, vice-presidente da Área de Habitação de Interesse Social da CBIC e presidente da CHIS, chamou a atenção para a pressão dos custos sobre os empreendimentos habitacionais de interesse social. Segundo ele, o aumento das despesas pode comprometer as margens das empresas que atuam nesse segmento, reforçando a importância de considerar a evolução dos custos nas discussões sobre os parâmetros dos programas habitacionais.
A reunião também abordou o papel do FGTS no financiamento imobiliário. Celso Petrucci, diretor de Economia do Secovi-SP, apontou mudanças na capacidade financeira do fundo e o crescimento da demanda por recursos. “O Fundo de Garantia sofreu muitas reduções da sua capacidade financeira nos últimos anos. Principalmente por conta do saque-aniversário. Por outro lado, o mercado evolui e pede cada vez mais recursos”, afirmou.
Mercado imobiliário e perspectivas econômicas
Os participantes também analisaram dados de lançamentos, vendas e oferta de imóveis. Conforme os números apresentados por Celso Petrucci, o mercado registrou 477 mil unidades lançadas e 447 mil vendidas, com oferta final de 355 mil unidades no acumulado de 12 meses até junho. No primeiro semestre, os lançamentos e as vendas de imóveis de médio e alto padrão recuaram, enquanto as vendas do Minha Casa, Minha Vida cresceram 16%.
A discussão sobre o financiamento com recursos da poupança (SBPE) incluiu propostas relacionadas à transição das regras e à manutenção da oferta de crédito. Ely Wertheim ressaltou a importância de analisar o funcionamento do sistema de forma integrada. “Ninguém aqui é a favor de taxa de juros congelada. Mas, como é um sistema brasileiro, a gente tem que entender o todo e não um pedacinho disso e falar que é verdade”, afirmou.
Eduardo Aroeira também comentou a discussão sobre os limites de financiamento e relacionou o tema ao comportamento dos juros. “Essa discussão de teto só está acontecendo porque a taxa de juros não caiu na velocidade que todo mundo esperava”, disse.
A perspectiva econômica foi apresentada por Rafael Martins Murrer, economista sênior do Bradesco. Ele avaliou que a atividade deve perder força, com desaceleração mais acentuada no próximo ano, e apontou a escassez de mão de obra qualificada como um dos principais entraves à construção civil.
“A gente vê uma desaceleração neste ano e mais intensa no ano que vem”, afirmou. Sobre o setor, acrescentou que “o principal problema, o fator limitante da construção, é a escassez de mão de obra qualificada”.
A programação também incluiu a discussão sobre a correção monetária mensal nos contratos de compra de imóveis. Olivar Vitale, integrante do conselho jurídico do Secovi-SP, apresentou a posição do setor produtivo em defesa da legalidade da cobrança. “Do nosso lado, do setor produtivo, produzimos três pareceres técnicos e jurídicos sobre o tema, defendendo a legalidade da cobrança da correção monetária mensal”, afirmou.
O tema tem interface com o projeto “Segurança Habitacional como Garantia Básica para a Qualidade de Vida e Integridade Física do Trabalhador”, da Comissão da Indústria Imobiliária (CII) da CBIC, em parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesi).





















































































