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AGÊNCIA CBIC

24/11/2025

Cultura de segurança no canteiro de obras é debatida em Brasília no CONEST

Como trazer melhores práticas de segurança na construção que sejam eficazes e efetivas para os trabalhadores. Foi esse o tema do painel “Canteiro do amanhã: Novas Soluções em SST para uma Construção Civil Mais Eficiente” da 27ª edição do CONEST. O tradicional evento de SST aconteceu entre 20 e 22 de novembro na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), em Brasília, e trouxe discussões relevantes para o setor.

O painel reuniu especialistas para apresentar soluções e estratégias que fortalecem a cultura de segurança dentro das empresas. A moderação ficou a cargo de Jussara Almeida, presidente da APAREST, engenheira civil e professora.

“Segurança não gera custo, gera resultado”, apontou Larissa Barreto, consultora em SST, presidente da ABRAEST e diretora da ANEST. Ela destacou a necessidade de consolidar informações e definir indicadores claros para orientar ações nos canteiros. Para Larissa, a digitalização é um caminho para decisões mais rápidas e assertivas, com uso de aplicativos simples de inspeção, fichas digitais de EPI e painéis de monitoramento. “A gestão digital reduz a distância entre risco e ação. O segredo é começar pequeno, mas com consistência”, afirmou.

A engenheira civil Stefani Jardim, especialista em projetos de proteção coletiva, reforçou que a segurança deve começar no projeto, com planejamento prévio da implementação. “O projeto de proteção coletiva precisa ser tão bem elaborado quanto o de arquitetura”, afirmou. Para Stefani, a transformação começa pela percepção: é necessário explicar por que a mudança é necessária e demonstrar o retorno do investimento. “A obra também é cartão de visita da empresa. Quando tratamos bem o provisório, ele se torna importante”, disse. Segundo ela, “projeto bom é o que funciona na prática”.

O especialista em cultura de segurança Nestor W. Neto destacou que treinamentos tradicionais não garantem aprendizado real. “É impossível lembrar de todos os slides do treinamento de integração. Muitas vezes treinamos para proteger a empresa, não o trabalhador”, afirmou. Ele defende abordagens mais humanas, com linguagem clara e participação ativa das equipes. Entre as estratégias sugeridas estão rodas de conversa, escuta ativa e brainstorm estruturado.

A empresária e fisioterapeuta do trabalho Amanda Muniz, CEO da ERGOGROUP, abordou os desafios da ergonomia na construção civil. Segundo ela, a diversidade de atividades no canteiro dificulta mensurações precisas. Dados apresentados indicam que fraturas representam 49,2% dos afastamentos e lesões osteomusculares, 22%. Em 2024, foram registradas 84 mil fraturas no setor, e 40% dos acidentes têm relação com falhas ergonômicas. Amanda listou os cinco principais desafios: postura inadequada, movimentação de cargas, uso de ferramentas improvisadas, ambientes dinâmicos e baixa percepção de risco. “Não é sobre eliminar o esforço, mas transformá-lo em possível e saudável”, concluiu.

O tema tem interface com o Projeto Ações Transversais e Iniciativas Internacionais da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), com a correalização do Serviço Social da Indústria (Sesi Nacional).

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