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AGÊNCIA CBIC

12/05/2016

ENIC: como incluir a responsabilidade social na gestão de seu negócio

 

Pequenas e médias empresas, prestes a abrir as portas ou no mercado há anos, contam com ferramentas para desenvolver uma gestão socialmente responsável

 

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e o SESI Nacional promoveram nesta quinta-feira (12) mesa redonda com especialistas em inteligência de mercado sobre “Gestão socialmente responsável e competitividade para pequena e média empresa”, durante o 88º Encontro Nacional da Indústria da Construção (ENIC). Segundo Ana Cláudia Gomes, presidente do Fórum de Ação Social e Cidadania (FASC), o objetivo foi “apresentar ferramentas de gestão para aumentar a competitividade do setor e fortalecer as pequenas e médias empresas – que formam a maior parte da indústria da construção brasileira – para alavancarem e trazerem mais resultados para a sociedade”.

 

Palestrantes trouxeram conhecimentos técnicos aplicáveis à indústria da construção, seja para as empresas que já estão no mercado, quanto para as que estão começando. O especialista italiano Emilio Beltrami, do Centro Tecnológico para o Setor de Madeira e Móveis (COSMOB ITALIA), apresentou sua experiência adquirida em Milão para pensar cenários futuros sustentáveis. Ele mostrou uma ferramenta – chamada Foresight – para previsão de cenário tecnológico e soluções, que foi criada durante período de crise econômica na Europa. Esse mecanismo se baseia em potencialidades de crescimento do setor das construções inteligentes e inclui a responsabilidade social na gestão do negócio.

 

Segundo Beltrami, “crise é resultado de um processo de mudança com efeitos duradouros. A crise é uma mudança de conceito. E as empresas precisam se adequar à nova linha vigente”. O desafio do setor da construção é justamente desenhar e prever esse novo cenário, além de identificar quais tecnologias, inovações e conhecimentos responderão a essa nova demanda do mercado. “É preciso implementar tecnologias, conhecimentos e modelo de gestão que permitam que, em dois anos, minha empresa não feche”, incitou o palestrante, apresentando como solução a definição de uma estratégia, de médio e longo prazo, onde o empresário tenha um investimento assertivo, de modo que possa mensurar o impacto real da gestão.

 

A Globalização – “Meu concorrente não é o vizinho, hoje ele vem da Ásia” – e o contexto em que a empresa se insere são outros pontos a serem levados em consideração na hora de prever cenários, sempre com investimento em responsabilidade social. “Não tem mais como viver e ver a responsabilidade social como apenas uma norma boa para meu trabalhador. Eu tenho que aumentar a qualidade de vida de todo meio no qual estou vivendo”, afirmou Beltrami.

 

Marcos Kathalian, da Brain Consultoria em Inteligência Corporativa, foi outro palestrante a trazer ferramentas de gestão que servem para mensurar o negócio e torná-lo mais responsável. “Ferramentas de gestão e indicadores de desempenho são fundamentais para uma empresa quando ela cresce e esse é o dilema da pequena empresa, porque, como ela tem uma escassez de recursos, não consegue ter acesso a essas ferramentas e indicadores”, explica. A solução apresentada por Kathalian é que as entidades transfiram conhecimento de tecnologia de gestão para as pequenas empresas. Isto poderia ser feito através da compra e disseminação compartilhada de soluções pelos empresários.

 

Incluindo na conversa as empresas do setor que ainda estão se formando ou dão os primeiros passos, Carla Duprat, diretora-executiva do Instituto Intercement, falou sobre responsabilidade social na cadeia de valor e a relação com negócios sociais. A Intercement é uma empresa de cimento que também investe e desenvolve novos negócios sociais, ou seja, empresas que já nascem socialmente responsáveis e trazem soluções para problemas sociais e de infraestrutura – isto sem deixar de ter uma visão de negócio e lucro. “Algo precisa ser qualificado nesse modelo econômico que nós temos, e nesse espaço tem um movimento grande de negócios de impacto que buscam performance financeira, mas também querem resolver um problema socioambiental”, diz Duprat. Ela instigou ainda o público a pensar na nova concorrência, como o Airbnb, que é a maior empresa hoteleira sem ter nenhuma unidade física. “As mudanças estão ocorrendo tão rapidamente. Temos que pensar – na construção civil – quem seria nosso Airbnb ou nosso Uber, porque nossos concorrentes estão pensando”.

 

Ana Flávia Godoi, assessora de planejamento do FASC, resume o primeiro dia de programação do fórum: “Fizemos um convite às entidades do setor a entender a complexidade desse tema e a estar juntos conosco para que a indústria consiga compreender o que é o futuro. Devemos entender que a crise diz mais a respeito de valores, entre o novo e o velho modelo de gestão. A antiga economia não se sustenta, a não quer se olhe para o moderno”.

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