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AGÊNCIA CBIC

27/08/2026

Redução da jornada: CBIC reafirma defesa de debate técnico para mitigar efeitos negativos

A redução da jornada de trabalho, com mudança na escala 6×11, requer uma discussão técnica e aprofundada, sob o risco de impor prejuízos aos segmentos mais vulneráveis da sociedade. Com este posicionamento, o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Eduardo Aroeira Almeida, vocalizou a preocupação do setor com o avanço da tramitação da medida em meio ao calendário eleitoral. “Não somos contra a redução da jornada, o que nos preocupa é a forma de fazê-la”, afirmou durante painel da 23ª edição da Convenção Secovi-SP, realizado na manhã de quinta-feira (27), em São Paulo.

Segundo ele, não se trata de um embate entre o empresário e o trabalhador, mas da necessidade de estruturar uma solução segura para todos. “O que estamos avaliando é o impacto, o custo que vai recair sobre a sociedade como um todo, especialmente os mais vulneráveis”, destacou. Aroeira reafirmou argumentos que têm sido levados pela CBIC no diálogo aberto com o governo federal e o Congresso Nacional, apontando para a expectativa de um período de transição e a adoção de iniciativas que melhorem a produtividade do trabalhador.

O presidente da CBIC participou do painel Conjuntura – O Brasil estrutural: economia, política e ambiente de negócios, que apresentou um amplo debate sobre as transformações por que passa o Brasil, à luz de aspectos como risco institucional, realidade fiscal e uma visão de futuro. O pano de fundo da discussão foi trazido por uma palestra do jornalista William Waack, especialista em relações internacionais, política e economia. Ele também é âncora do telejornal diário WW, na CNN Brasil.

Para o jornalista, o Brasil atravessa combina uma crise institucional ao calendário eleitoral, com efeitos que aumentam a incerteza. “Em 2026, a imprevisibilidade é o fator principal e a eleição está aberta”, pontuou. “A falta de lideranças genuínas agrava esse problema”. Segundo Waack, o pleito será definido por um contingente pequeno estimado em 2 milhões de eleitores, que tomarão sua decisão de voto 72h antes do escrutínio.

O âncora acrescentou que dúvidas sobre a condução da economia também são ponto importante do ambiente, em que aspectos como o desarranjo das contas públicas, a política de juros, o tamanho da dívida, assim como questões regulatórias aumentam a preocupação entre tomadores de decisão. “A redução da jornada e a escala 6×1 são uma decisão perigosa”, apontou, convergindo para a percepção de que fixa na Constituição a jornada de trabalho engessará a atuação do setor produtivo.

Mediado por Ely Wertheim, presidente executivo do Secovi-SP e vice-presidente da Indústria Imobiliária da CBIC, o painel contou com a participação de Jorge Cury Neto, presidente do Secovi-SP; Caio Portugal, presidente da AELO; Yorki Estefan, presidente do SindusCon-SP; Cicero Araújo, vice-presidente de Relações Institucionais e Governamentais da ABRAINC; e Gustavo Siqueira, vice-presidente de Recursos Humanos e Public Affairs da Saint-Gobain para a América Latina.

O tema tem interface com o projeto “Segurança Habitacional como Garantia Básica para a Qualidade de Vida e Integridade Física do Trabalhador”, da Comissão da Indústria Imobiliária (CII) da CBIC, em parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesi).

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