AGÊNCIA CBIC
Construção aposta em inovação para enfrentar os impactos das mudanças climáticas
A temperatura média global já aumentou cerca de 1,1°C e, no Brasil, algumas regiões registraram aquecimento de até 3°C nas últimas seis décadas, segundo estudos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O avanço das mudanças climáticas tem intensificado eventos extremos, como ondas de calor, chuvas intensas e secas prolongadas, exigindo que a construção civil projete edificações e obras de infraestrutura cada vez mais resilientes.
Nesse cenário, tecnologias voltadas à eficiência energética, ao uso racional da água, à inovação em materiais e ao planejamento urbano tornam-se cada vez mais importantes para garantir a durabilidade, a segurança e o desempenho das construções diante dos desafios climáticos.
Tecnologia e planejamento para cidades mais resilientes
Segundo o vice-presidente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Nilson Sarti, o conhecimento técnico para tornar as cidades mais preparadas para esses desafios já existe. O próximo passo é ampliar sua adoção em larga escala.
“A tecnologia para tornar a infraestrutura mais resistente aos eventos climáticos extremos já existe. Hoje contamos com asfaltos modificados, concretos de alto desempenho, pavimentos mais refletivos, materiais de maior durabilidade e soluções baseadas na natureza, que ajudam a reduzir a temperatura das cidades e aumentar a vida útil das estruturas”, afirma.
Para que essas soluções se tornem cada vez mais presentes nas obras brasileiras, Nilson Sarti ressalta que será necessário avançar em políticas públicas, normas técnicas e mecanismos de financiamento. “Isso passa pela atualização de normas técnicas, pela revisão dos critérios para contratação de obras públicas e pela ampliação do acesso a financiamentos para infraestrutura resiliente.”
A CBIC tem atuado para impulsionar essa transformação. A entidade participou da construção de políticas públicas voltadas às finanças sustentáveis, contribuiu para a implementação da Taxonomia Sustentável Brasileira e promove o debate sobre adaptação climática e descarbonização da construção.
Também incentiva a adoção de tecnologias mais eficientes por meio do convênio firmado com a ENBPar para a disseminação do Programa Brasileiro de Etiquetagem de Edificações (PBE Edifica), iniciativa que promove a eficiência energética e a sustentabilidade das edificações brasileiras.
Construção como parte da solução
Para Nilson Sarti, adaptar a construção civil às mudanças climáticas é uma necessidade estratégica para o desenvolvimento do país. “Precisamos planejar as cidades para o clima das próximas décadas, e não para o clima que já ficou para trás.”
Os impactos do aquecimento global também exigem investimentos em infraestrutura capaz de responder a enchentes, ondas de calor e períodos de estiagem. Entre as soluções estão sistemas de drenagem mais eficientes, ampliação das áreas verdes, soluções baseadas na natureza e materiais desenvolvidos para suportar condições climáticas mais severas.
Além disso, incorporar critérios de adaptação climática desde a concepção dos projetos será fundamental para aumentar a resiliência das cidades, reduzir custos com manutenção e reconstrução e garantir mais segurança para a população.
“A construção é parte da solução para a crise climática. Investir hoje em cidades mais resilientes significa reduzir riscos, preservar vidas, diminuir custos futuros e aumentar a qualidade de vida da população”, conclui Nilson Sarti.























































































