AGÊNCIA CBIC
Construção civil discute financiamento climático e cases de sustentabilidade no Pré-COP 30
O seminário “Pré-COP30: Contribuição do setor da construção para a NDC brasileira”, realizado nesta quinta-feira (28), em Brasília, seguiu após a abertura com dois painéis que reuniram representantes do governo, instituições financeiras e empresários do setor. O evento, promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), pelo Green Building Council Brasil (GBC Brasil) e SindusCon-SP, com o apoio da Saint-Gobain, discutiu os novos mecanismos de financiamento climático e apresentou experiências concretas de engenharia sustentável.
Financiamento climático e novas políticas públicas
O primeiro painel, mediado por Lilian Sarrouf, coordenadora técnica do Comasp do SindusCon-SP e representante da CBIC no Comitê Consultivo da Taxonomia Sustentável Brasileira, abordou os novos mecanismos de financiamento climático.
José Pedro Bastos Neves, coordenador-geral de Finanças Sustentáveis do Ministério da Fazenda, destacou a aprovação da primeira fase da Taxonomia Sustentável Brasileira, instrumento que define critérios de sustentabilidade para setores estratégicos, incluindo a construção civil. Segundo ele, trata-se de um marco regulatório que “vai permitir alinhar financiamentos públicos e privados a critérios técnicos claros, favorecendo investimentos sustentáveis”. Bastos Neves também detalhou os próximos passos, que incluem adaptação de normativos governamentais, implementação junto às empresas em diferentes ondas de exigência e desenvolvimento de sistemas de monitoramento, relato e verificação.
O superintendente do BNDES, Ian Ramalho Guerriero, apresentou as linhas de financiamento que já estão incorporando critérios de sustentabilidade, como o Fundo Clima e os novos instrumentos de captação do banco. Ele enfatizou que a instituição “vem ampliando recursos para projetos de infraestrutura sustentável, inovação e eficiência energética, com destaque para escolas, hospitais e mobilidade urbana”, reforçando o papel do BNDES na aceleração de investimentos em parceria com governos e empresas.
Na mesma direção, a vice-presidente de Habitação da Caixa Econômica Federal, Inês Magalhães, ressaltou o papel da instituição como agente implementador das políticas públicas de habitação. Ela citou iniciativas voltadas à industrialização da construção, retrofit habitacional e novas linhas de financiamento, defendendo que “uma boa escolha de projeto pode reduzir significativamente a pegada de carbono das cidades, gerando escala e impacto social positivo”.
Representando a indústria de materiais, Wiltson Varnier, diretor-geral da Saint-Gobain Cebrace, lembrou que o desafio da sustentabilidade “só pode ser enfrentado de forma conjunta entre poder público, iniciativa privada e academia”. Ele destacou a importância de políticas transparentes e de investimentos em inovação tecnológica para que o setor avance na descarbonização, garantindo também conforto e resiliência climática nas edificações.
Cases de engenharia sustentável
O segundo painel, mediado por Felipe Faria, CEO do Green Building Council Brasil, trouxe exemplos concretos de projetos que conciliam diferencial competitivo e transição climática.
Um dos destaques foi o Hospital Erastinho, em Curitiba, apresentado pela arquiteta Adriana Sarnelli. Inaugurado em 2020, o hospital oncopediátrico é referência internacional em sustentabilidade e bem-estar, tendo recebido certificações como LEED e WELL, além de reconhecimento no G20 como uma das 100 construções mais sustentáveis do mundo. “O Erastinho não é apenas sustentável, é restaurativo, pois melhora o entorno em que está inserido e a experiência de pacientes e profissionais”, afirmou Sarnelli.

Ricardo Cansian, presidente da RAC Engenharia, que executou a obra, destacou o papel da inovação no setor: “A sustentabilidade é a porta de entrada para a inovação”. Ele ressaltou que a empresa já entrega obras de “carbono zero”, validadas por auditorias internacionais, e que tecnologias como simulações termoenergéticas e análises de ciclo de vida têm permitido reduzir custos operacionais e emissões.
Outro case apresentado foi o da Comunidade do Aço, no Rio de Janeiro, detalhado por Vinicius Benevides, diretor operacional da Dimensional Engenharia. O projeto prevê a realocação de famílias em situação de vulnerabilidade em novas moradias sustentáveis, com uso de energia solar, eficiência hídrica e ciclovias. “Trata-se de uma reparação histórica, que alia habitação digna e soluções ambientais para oito mil moradores”, destacou.
Encerrando o painel, João Carlos Romano Casari, gerente de Relações Institucionais da Saint-Gobain, abordou a industrialização da construção, com destaque para sistemas de fachadas leves e modulares que reduzem prazos de obra em até 50%. Segundo ele, a industrialização “é essencial para garantir eficiência, qualidade e sustentabilidade em larga escala”.























































































