AGÊNCIA CBIC
Construção civil destaca relevância na agenda climática em abertura do Pré-COP30
Com a COP 30 marcada para novembro deste ano, em Belém (PA), a construção civil brasileira deu um passo decisivo para afirmar seu protagonismo na agenda climática global. Nesta quinta-feira (28), em Brasília, lideranças públicas e privadas abriram o seminário “Pré-COP30: Contribuição do setor da construção para a NDC brasileira”, promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o Green Building Council Brasil (GBC Brasil), e o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), por meio do Comitê de Meio Ambiente (COMASP), com o apoio da Saint-Gobain. O encontro destacou a relevância do setor na redução de emissões e na adaptação a eventos extremos, apontando caminhos para que o Brasil leve soluções concretas à Conferência do Clima.
Construção civil no centro da transição climática
O embaixador André Aranha Corrêa do Lago, secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Itamaraty e presidente da COP 30, afirmou que a construção é central para a transição climática e que o Brasil tem condições de liderar o debate internacional com soluções próprias.
“O debate internacional sobre construção deve levar em conta não apenas a mitigação no processo construtivo, mas também no uso dos edifícios. Edificações que consomem menos energia e custam menos para manter têm impacto enorme no mercado. O Brasil pode ter uma liderança internacional incrível nesse tema, até porque a nossa arquitetura moderna já nasceu adaptada ao clima tropical, com soluções que hoje voltam a despertar interesse mundial”, destacou.
Ele reforçou ainda que a COP 30 será uma vitrine para que o país apresente alternativas acessíveis e replicáveis.
“A COP vai ser, sobretudo, uma oportunidade incrível do Brasil mostrar soluções desenvolvidas pelo setor privado, pelos governos locais e pelo setor da construção, que é extremamente importante para a nossa economia e para a economia mundial. Muitas dessas soluções são mais úteis para a maioria da população global do que as alternativas dos países desenvolvidos, geralmente caras. Diante de desafios como infraestrutura e déficit habitacional, a contribuição do Brasil pode ser extremamente relevante”, afirmou.
O presidente da CBIC, Renato Correia, reforçou o peso econômico e social da construção civil, mas destacou que a entidade também tem atuado de forma intensa na agenda climática junto ao governo.

“A indústria emprega mais de 3 milhões de pessoas, reúne cerca de 200 mil empresas e representa 7% do PIB quando considerada toda a cadeia. Ainda assim, convivemos com um déficit habitacional de 7 milhões de moradias e um déficit de infraestrutura superior a R$ 200 bilhões ao ano. Mesmo assim, em 2025, o setor deve investir R$ 680 bilhões em habitação e infraestrutura”, afirmou.
“A CBIC participa de cinco grandes comitês relacionados à sustentabilidade, da taxonomia brasileira ao mercado regulado de carbono, contribuindo para construir soluções justas e sustentáveis às NDCs do país”, completou.
Inovação e métricas para reduzir emissões
Para o CEO do Green Building Council Brasil, Felipe Faria, os chamados green buildings já estão mostrando na prática como é possível alinhar crescimento econômico, descarbonização e qualidade de vida.
“O Brasil é hoje o quinto maior mercado do mundo em projetos certificados, com mais de 70 milhões de metros quadrados construídos sob protocolos nacionais. Estamos liderando pelo exemplo, mostrando que eficiência energética, conforto e sustentabilidade podem caminhar juntos e, em muitos casos, antecipando resultados esperados apenas para 2035 ou 2050”, disse.
Do lado empresarial, Gustavo Siqueira, vice-presidente da Saint-Gobain, lembrou que a construção responde por mais de um terço das emissões totais, o que torna inevitável sua presença no centro da agenda climática.
“A construção é responsável por 34% das emissões totais. Não há como falar em descarbonização no Brasil sem colocar o setor como prioridade. O déficit habitacional precisa ser reduzido rapidamente, mas de forma sustentável, com obras mais leves, rápidas e de baixo carbono. Sustentabilidade e desenvolvimento não são concorrentes, caminham juntos”, afirmou.
Já o vice-presidente do SindusCon-SP, Francisco Vasconcellos, destacou a necessidade de políticas públicas e métricas confiáveis para apoiar a transformação. Ele apresentou a CECcarbon, calculadora de emissões desenvolvida em parceria com a cooperação alemã (GIZ) e o Ministério das Cidades.
“A CECarbon tem permitido medir com mais precisão as emissões do setor. Os indicadores mostram que a construção brasileira já apresenta fatores médios de emissão compatíveis com metas que alguns países desenvolvidos só esperam atingir em 2035”, explicou.























































































