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05/10/2021

“OIT estima que 4% do PIB do mundo é gasto por conta dos acidentes de trabalho”, diz Patruni na Semana CANPAT

O segundo dia da Semana CANPAT Construção 2021 contou com uma palestra sobre as principais causas de acidentes na indústria da construção. O palestrante e auditor-fiscal do Trabalho, Rubens Patruni Filho, apresentou dados sobre o tema e fez diversas comparações entre os números do Brasil e de outros países, como Estados Unidos e Reino Unido. O encontro foi moderado pelo diretor-executivo da Associação Nacional da Indústria de Material de Segurança e Proteção do Trabalho, Raul Casanova.

“Muito mais do que falar sobre acidente de trabalho, vamos fazer uma reflexão do que são as causas principais, sendo elas diretas e estruturais”, disse Patruni. O especialista ainda alertou para uma grande subnotificação nos dados de acidentes e doenças ocupacionais no país.

Segundo ele, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que 4% do PIB do mundo é gasto por conta dos acidentes de trabalho. “É um gasto enorme com relação a acidentes, porque nós temos jovens se acidentando. Essa forma de trabalho fica parada e há um custo para repor essa força. Há também um custo para tratar essas pessoas”, afirmou.

Segundo dados da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), no ano de 2020 no setor da construção, 29,3% dos acidentes aconteceram na construção de edifícios seguidos por 7,9% na instalação e manutenção elétrica, 7,5% na construção de rodovias e ferrovias, e 5,9% em incorporações de empreendimentos imobiliários.

Além disso, o auditor-fiscal apresentou os dados de ocupações e disse que a maioria dos acidentes ocorrem com os serventes (23,7%), seguido dos pedreiros (8,8%), eletricista de instalações (4,8%) e eletricista de manutenção (4,3%).

De acordo com ele, as principais causas de óbitos na indústria da construção em 2019, segundo a classificação do INSS, foram: aprisionamento (28,8%), queda (25,4%), impacto (25%) e choque elétrico (11,4%).

Sobre as autuações da inspeção do trabalho diretamente em empresas da indústria da construção em 2020, o ranking foi: 1º falta de proteção coletiva contra queda; 2º sistema GR em andaime; 3º abertura de piso; 4º treinamento.

Patruni também discorreu sobre as causas estruturais, que podem levar a acidentes: informalidade, trabalhadores sem capacitação, normas defasadas, falta de informações, de estrutura e de fiscalização.

Sobre legislação, Patruni afirmou que existem novas normas que entrarão em vigência em 03/01/22, que engloba o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), que de forma alinhada com a ISO 45001 tem como base processo de melhoria contínua. Dentre elas estão:

– Identificar os perigos, avaliar os riscos e determinar medidas de controle;
– Implementar as medidas de controle;
– Monitorar todo o processo em relação aos objetivos de SST;
– Tomar as medidas para melhoria contínua e alcançar os resultados pretendidos.

Participaram como debatedores:

– Maria Christina – Tecnologista do Fundacentro

– Gianfranco Pampalon – consultor de Saúde e Segurança do Trabalho do Seconci-SP

Assista ao painel na íntegra!

A Semana CANPAT Construção é realizada em parceria com a Inspeção do Trabalho (SIT), do Ministério do Trabalho e Previdência, o Serviço Social da Indústria (SESI) e os Serviços Sociais da Indústria da Construção (Seconcis).

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