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23/04/2019

Artigo: Paris II – Arrondissements  

Dionyzio Antonio Martins Klavdianos, vice-presidente de Área da CBIC e presidente da Comissão de Materiais, Tecnologia, Qualidade e Produtividade (Comat)

 

 

 

Paris recebe cerca de 88 milhões de turistas por ano, 45 vezes sua população, a Grécia toda 38 milhões para uma população de 11 milhões. Para as Olimpíadas, a cidade francesa espera bater a meta de 100 milhões, passaram os jogos olímpicos de 2016 e o Brasil recebe cerca de 4 milhões.

Paris é a cidade que é hoje graças ao urbanista Georges Haussmann, que entre os anos 1850 e 70, sob os auspícios do imperador Napoleão III, interviu radicalmente no arranjo urbano da cidade, demoliu prédios, criou largas vias, dividiu a cidade em 20 distritos, os arrondissements, cada um com vida própria. Cada distrito tem sua prefeitura, 20 para 2 milhões de pessoas, cada prefeitura um prefeito e cinco vereadores, que não recebem pelo cargo.

À época, nos conta o guia do passeio, o inimigo a combater era o cavalo, na verdade a bosta dele, que atraia moscas, consequentemente bactérias e as doenças supervenientes, as ruas estreitas e escuras, devido à proximidade dos prédios, contribuíam com a proliferação das pestes.

A solução foi instalar comércio e serviços de utilidade pública mais próximo das casas, em cada distrito, assim, menos o francês necessitaria de longas caminhadas e do cavalo. Serviu até hoje, uma pesquisa sobre mobilidade mostrou que num universo de 20 importantes cidades pesquisadas em todo o mundo o parisiense é o que menos necessita de caminhar para chegar a algum destino, melhor ainda, é o que mais caminha diariamente, cerca de, se não me engano, 5 km diários contra 1,5 km da média.

O guia conta entusiasmado que até no empregado doméstico o urbanista pensou. O layout básico das edificações contempla o térreo para o comércio, o primeiro andar de pé direito mais baixo e menos arejado, ainda suscetível ao mal cheiro das ruas, para os empregados, o segundo com pé direito alto, sacada é bem iluminado para os patrões, o mais nobre já que à época não havia elevadores, do terceiro ao sexto andar, o limite, a desvalorização era progressiva…

…E arremata com orgulho, contando da emoção do jogador de futebol Raí, que na década de 1990 jogou no mais importante clube local, ao saber que sua empregada moraria no prédio ao lado do seu e as filhas estudariam na mesma escola.

Não deve ser mais assim, no Valor de 12 de abril o sociólogo francês Alain Touraine comenta a respeito do movimento dos coletes amarelos “em Paris, os mais pobres foram obrigados a ir morar a 100 ou 200 km para procurar emprego, não para ir ao teatro…Hoje não é raro uma mulher andar 60 km para dar à luz”.

Aguardamos uma nova dupla como a formada por Haussmann e Napoleão III para arquitetarem uma nova transformação radical.

A premiação é uma iniciativa da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), em correalização com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai Nacional), e conta com o patrocínio da Caixa Econômica Federal.

Veja também o Artigo: Paris I – A quem interessa melhorar nossa produtividade (unidade de energia é joule, não caloria)?

 

*Artigos divulgados neste espaço, não necessariamente correspondem à opinião da entidade.

 

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