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01/02/2019

Artigo: Rio Paraopeba

 

Dionyzio Klavdianos, 1º Vice-presidente do Sinduscon-DF e vice-presidente de Materiais, Tecnologia, Qualidade e Produtividade da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Comat/CBIC)

 

Na nossa lista, a ponte do Rio Paraopeba ficou entre a do Ressaquinha e a do Rio Maranhão. Na internet, Ressaquinha aparece como nome de cidade, fica antes de Barbacena. Lembro-me da igreja que a representa na internet. Passa-se em frente a ela pela BR-040, é bem bonitinha. No dia, deu vontade de estacionar o carro e fotografá-la sob o ângulo de quem sobe a escadaria lateral. Como o sol se punha ao fundo, era foto para Instagram.

O Maranhão é mencionado como rio mesmo. Passamos por ele antes, ainda de Belo Horizonte, sentido litoral-cerrado. Mas estranho: na Wikipedia, consta “que banha o DF e o Tocantins”. Nunca tinha ouvido falar. Rio corre longe, é por isto. O das Almas não apareceu por perto de Paracatu-MG? Cruzei com ele em Pirenópolis-GO, há coisa de um mês. Na minha infância, o via todo o ano, mal saia de Rialma-GO para passar as férias em Ceres-GO, pois é ele que separa as duas cidades, assim como o São Francisco, que atravessamos em Três Marias-MG, divide Petrolina-PE de Juazeiro-BA .

Rio tem história… E ajuda a contar outras. Foi nisto que pensei quando Gicelene me cobrou a razão de listarmos todos no nosso caminho de volta da praia. Só não pensava que o personagem principal desta história seria o Paraopeba, muito menos a razão pela qual se tornaria.

Fiz meu projeto final em obras de terra. Por causa da nota, consegui um estágio na Barragem de Balbina. Gostei tanto que quase ficava, até me chamaram, mas achei que tinha de voltar para terminar o curso. Lembro até hoje do pavor que dava, a gente parado no meio da barragem de terra e a quantidade de motoscrapers e caminhões fora de estrada vindo à toda, no nosso rumo, como nos filmes do Mad Max, com aqueles pneuzões três vezes maiores que eu. Se passassem por cima, o carro que dirigíamos viraria caco. Deu dó ver pneus parecidos na TV, durante a cobertura da tragédia de Brumadinho, agora, sim, reduzidos a caco.

O Matozinhos nasceu, cresceu e ainda hoje mora em Brumadinho. É cidadão honorário, até! Contou-me ao telefone, no domingo passado, que tem uns 20 amigos desaparecidos na tragédia. Pedi a ele, grande técnico que é, para que, na reunião da Comat/CBIC, usasse o tempo da palestra principal para falar sobre o tema, mas, natural: declinou e me indicou outra pessoa*.

Na Folha de 31 de janeiro, a notícia de que, embora seja possível, “Na prática, porém, responsabilizar executivos não é tão fácil, afirmam advogados”. Aos que não têm esta prerrogativa, como os engenheiros já presos em virtude da assinatura do laudo de inspeção, emitido em dezembro de 2018, resta fiar-se nas normas técnicas, custe o que custar, e trabalhar com quem as valoriza, custe o que custar.

Matozinhos conhece como poucos esta história e, mesmo que não dê a palestra, tenho certeza de que vai pedir a palavra, reforçar a importância de se seguir esse roteiro e, provavelmente, nos contar alguma história bonita da infância junto ao Paraopeba.

 

*O vice-presidente da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (ABECE). Será quinta-feira agora, 7 de fevereiro, às 10h30, com transmissão ao vivo pelo Facebook.

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