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01/10/2018

Seminário Técnico Sinapi em Cuiabá reforça a valorização do engenheiro-orçamentista

Cuiabá (MT) foi a 23ª cidade brasileira a receber o Seminário Técnico de Divulgação da Revisão do Sinapi, promovido no último dia 27 de setembro pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), por meio da sua Comissão de Infraestrutura (COP), Caixa Econômica Federal, Senai Nacional e Sindicato das Indústrias da Construção do Estado de Mato Grosso (Sinduscon-MT). O evento serviu para analisar as mudanças da nova fase da revisão do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil e para reforçar a valorização do engenheiro-orçamentista na elaboração de orçamentos tecnicamente embasados nas referências dessa ferramenta.

“Sinapi não é tabela, é uma ferramenta, um sistema que permite ter acesso a referências de preço. É uma tarefa que exige trabalho do orçamentista, pois exige estudo, exige conhecimento de como o Sinapi funciona. É uma atividade que veio valorizar a necessidade do profissional para empresa por orçamentos que sejam justos e compatíveis com os custos levantados. O orçamento tem que ter uma característica técnica e não política. Precisamos dedicar mais tempo no planejamento da obra do que na sua execução”, afirmou a engenheira civil Luciana Andrade, do Setor de Orçamento do Sinduscon-PE, a primeira palestrante da tarde.

Sob a ótica empresarial, Luciana expôs em sua palestra o caminho para um orçamento equilibrado, que não reflita custos subestimados ou superestimados, sob pena de um empreendimento inacabado, aditivos contratuais, licitação deserta, qualidade deficiente ou sobrepreço e superfaturamento. Luciana também tratou das causas e consequências de orçamentos deficientes e qual o caminho para uma boa orçamentação. Listou ainda itens que devem compor planilha orçamentária, apresentou exemplos de custos indiretos, e fez uma conceituação e descrição de BDI (Bonificação e Despesas Indiretas), dentre outros itens.

O arquiteto Mauro Fernando Martins de Castro e o engenheiro mecânico  Marcelo Costa Ferreira, ambos da Gerência-Executiva do Sinai da Caixa Econômica Federal, em Brasília, dividiram a apresentação com o viés do sistema propriamente, ao conceituar e exemplificar objetivos, metas da Caixa,  preços dos insumos, custos ou referências em composições, fichas de especificação de insumos, cadernos técnicos e composições, dificuldade superadas e qual momento se encontro o ciclo de revisão do Sinapi, dentre outros itens e abordagens.

“Novamente lembro: referência não é tabela. O Sinapi mantém as composições mais relevantes e recorrentes nos orçamentos, mas aqueles órgãos podem desenvolver demais composições para atender às necessidades específicas ou regionais, criando referências próprias, estabelecendo metodologia e conceitos, fundamentando e definindo a responsabilidade técnica ou desenvolver ou contratar consultoria”, disse Castro “Nos próximos anos, esperamos para a base do Sinapi  manter as composições atualizadas, ter uma instituição aferidora e ter colegas da casa trabalhando na manutenção dos insumos e suas composições, buscando reduzir o número dessas composições para o mesmo serviço, situação que pode gerar muita dúvida na escolha do serviço mais adequado”, reforça Ferreira.

O seminário reuniu um público de cerca de 100 pessoas (profissionais de órgãos públicos e construtoras), que acompanharam as explanações levadas para o auditório da Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt) pelos três palestrantes, e fizeram questionamentos ao fim das explanações. O engenheiro civil Geraldo de Paula Eduardo, consultor e gestor do projeto Revisão do Sinapi da COP/CBIC, destaca que o propósito dos seminários é divulgar os resultados da revisão do Sinapi até o momento e ampliar a informações da ferramenta junto ao segmento construtivo.

“Anos atrás a CBIC percebeu que o Sinapi merecia passar por uma revisão completa porque era um sistema antigo, que tinha várias origens e tinha critérios diferentes. A CBIC defendeu que fosse feita essa revisão, que está em fase final. Essa é a fase mais importante, fazer chegar ao mercado o conhecimento de todas as qualidades e possibilidades que o sistema permite”, afirmou ele que coordenou os trabalhos da mesa.

O presidente do Sinduscon-MT, Julio Flávio Campos de Miranda, lembra que ao mesmo tempo em que Mato Grosso apresenta mais de 400 obras paralisadas por diversas razões a construção civil deseja é que obras públicas tenham preço justo e obras de qualidade. “Defendemos que uma obra deva ter um preço justo, um orçamento bem-detalhado, um projeto bem-elaborado. Esse é o caminho para uma obra de qualidade e entregue no prazo. Isso é combustível para estimular a competitividade entre as empresas, ao mesmo tempo em que gera emprego e renda, e entrega uma obra pública para cumprir sua finalidade junto à sociedade”, salienta.

O Sinduscon-MT já cogita a realização de um outro seminário com o mesmo tema para 2019, em razão da mudança de gestão nas esferas estadual e federal.

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