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03/06/2019

Artigo – Os principais destaques do 2º Seminário Internacional BIM CBIC

 

Eduardo Toledo Santos é engenheiro eletricista, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e coordenador do Programa de Mestrado Profissional em Inovação na Construção Civil da Escola Politécnica da USP (ConstruInova)

 

 

 

Certamente o principal destaque do evento deste ano foi a palestra de abertura pelo engenheiro Tarmo Savolainen, especialista-chefe na área de BIM para infraestrutura, da Agência Finlandesa de Infraestrutura de Transportes (o “DNIT” da Finlândia). A audiência brasileira, que já estava habituada aos cases americanos e britânicos e até de vários países latino-americanos como Chile e Peru, pôde constatar o pioneirismo no uso do BIM na Finlândia, tanto em edificações quanto em infraestrutura e o seu avanço atual.

Tarmo trouxe a mensagem de que o BIM, na Finlândia, é totalmente baseado em padrões abertos. Para a área de infraestrutura, onde os padrões têm menos maturidade, a própria Finlândia tem desenvolvido seus padrões desde 2001, com destaque para o Inframodel, atualmente em sua versão 4.

Savolainen é atualmente o presidente do Capítulo Nórdico da buildingSMART e há a expectativa de que a experiência com esse padrão seja incorporada na versão 5 do IFC, o padrão neutro utilizado no BIM, promovido por essa instituição. E, por mais avançados que estejam os trabalhos de BIM para infraestrutura naquele país, Tarmo finalizou sua apresentação mostrando um roadmap para os próximos 10 anos, com a exigência de BIM para todas as obras de infraestrutura no país prevista para 2025.

Outra grande novidade foi a apresentação do Projeto do BIM Fórum Brasil, que visa coordenar os esforços nacionais para difundir e ampliar a adoção do BIM no país. A concepção desse fórum, de iniciativa da CBIC, tem como premissas a neutralidade e a representatividade de todas as partes do setor da construção interessadas em BIM.

Após levantamento e análise de 50 entidades correlatas no mundo, chegou-se a uma estruturação baseada em sete colegiados, que representam os distintos interesses dos membros do Fórum (somente pessoas jurídicas) e que elegem seus representantes para ocupar cadeiras no Conselho Administrativo, o órgão que efetivamente define a estratégia e a política de atuação da entidade. Ações e projetos técnico-científicos são desenvolvidos pelo Comitê Científico e Técnico, estruturado em Grupos de Trabalho dinâmicos. A estruturação financeira e o primeiro estatuto do Fórum estão prontos para o lançamento.

Como mostrei na apresentação do projeto, a ação efetiva do Fórum levará o Brasil a subir mais um degrau na escada de maturidade de adoção BIM, em que as todas as ações voltadas à macro adoção são coordenadas, sem sobreposições, atuando sobre as lacunas na difusão.

A apresentação do DNIT no evento, feita pelo coordenador-geral de Meio Ambiente do DNIT, João Felipe Cunha, responsável pelo projeto de implementação do BIM em 2018 no órgão, mostrou como o BIM foi objeto de uma decisão estratégica e que teve sua adoção formalizada na autarquia. Essa condição é essencial para o sucesso da implantação de um processo como o BIM, que envolve mudança de cultura e afeta a quase todos os envolvidos nos fluxos de licitação, projeto, construção, fiscalização e operação de infraestrutura. A estratégia de implementação adotada envolve uma sequência de projetos piloto, sendo o primeiro o Proarte, que objetiva a reabilitação de manutenção de pontes e viadutos sob a responsabilidade do DNIT. O projeto, bem coordenado, foi alinhado à missão do órgão e teve preocupação especial com questões de comunicação externa e interna, garantindo correta gestão das mudanças.

Os dois casos de uso do BIM em obras públicas de edificações apresentados no Seminário – Fiocruz e Ministério Público do Distrito Federal e Territórios – mostram que esses órgãos decidiram por desenvolver internamente seus esforços para implementação do BIM, sem necessariamente recorrer à consultoria externa. Apesar do caminho trilhado ter sido mais longo, as apresentações mostraram grande sucesso no resultado e internalização de conhecimentos, consolidando o caminho para adoção segura da metodologia em outras obras.

Já a presidente substituta do Comitê Gestor da Estratégia BIM-BR (CG-BIM), Talita Saito, lembrou à audiência sobre o histórico das ações levadas à cabo pelo governo federal no tocante ao BIM desde 2015 e esclareceu sobre os avanços obtidos mais recentemente.

A boa notícia foi que, além da atualização da constituição do CG-BIM devido à reestruturação dos ministérios, já estão sendo criados dois Grupos de Trabalho envolvendo os Projetos Piloto e a área de Capacitação. Os cinco programas piloto planejados na Estratégia são: SAC/MInfra (Aeroportos) e  DNIT/Proarte (Pontes e Viadutos), além do Exército, Marinha e Aeronáutica (Instalações Militares).

Também foi mencionada a criação da Rede BIM de Governos Latino-americanos e a realização neste momento, no Uruguai, do 3º Encontro dos participantes desta rede.

*Artigos divulgados neste espaço, não necessariamente correspondem à opinião da entidade.

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