{"id":5400,"date":"2019-11-12T20:10:24","date_gmt":"2019-11-12T23:10:24","guid":{"rendered":"https:\/\/cbic.org.br\/relacoestrabalhistas\/dois-anos-de-reforma-trabalhista-e-o-que-mudou-para-o-setor-da-construcao-2\/"},"modified":"2019-11-12T20:10:36","modified_gmt":"2019-11-12T23:10:36","slug":"dois-anos-de-reforma-trabalhista-e-o-que-mudou-para-o-setor-da-construcao-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cbic.org.br\/relacoestrabalhistas\/dois-anos-de-reforma-trabalhista-e-o-que-mudou-para-o-setor-da-construcao-2\/","title":{"rendered":"Dois anos de reforma trabalhista e o que mudou para o setor da constru\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Passadas as expectativas iniciais do governo \u2013 de combater o desemprego e a crise econ\u00f4mica no Pa\u00eds \u2013, o setor da constru\u00e7\u00e3o, por meio da Comiss\u00e3o de Pol\u00edtica de Rela\u00e7\u00f5es Trabalhistas (CPRT) da C\u00e2mara Brasileira da Ind\u00fastria da Constru\u00e7\u00e3o (CBIC), avalia os dois anos de reforma trabalhista a partir das mudan\u00e7as realizadas na Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT), via Lei n\u00b0 13.467\/2017, e destaca os instrumentos que as empresas da constru\u00e7\u00e3o civil mais t\u00eam usado em seus Estados.<\/p>\n<p>\u201cA reforma trabalhista trouxe simplifica\u00e7\u00e3o, maior seguran\u00e7a jur\u00eddica e, especialmente, a desjudicializa\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es do trabalho, com uma queda significativa n\u00e3o s\u00f3 em n\u00fameros de a\u00e7\u00f5es ajuizadas perante a Justi\u00e7a do Trabalho, mas tamb\u00e9m aos pedidos que s\u00e3o feitos nessas a\u00e7\u00f5es\u201d, ressalta o vice-presidente da \u00e1rea de Rela\u00e7\u00f5es Trabalhistas da CBIC, Fernando Guedes Ferreira Filho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>Diminui\u00e7\u00e3o do lit\u00edgio na atividade econ\u00f4mica<\/strong><\/h2>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-43130 alignleft\" src=\"https:\/\/cbic.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Fernando-Gudes.png\" alt=\"\" \/>Nesses dois anos de reforma trabalhista, houve diminui\u00e7\u00e3o do lit\u00edgio entre trabalhadores e empregadores. De acordo com dados do Tribunal Superior do Trabalho (TST), o n\u00famero de processos novos nas Varas de Trabalho registrou queda de 34,2% entre 2017 e 2018. Quando a Lei 13.467 entrou em vigor, em novembro de 2017, foram quase 290 mil novas a\u00e7\u00f5es. Em dezembro daquele ano, o n\u00famero caiu para 84,2 mil novos processos. Desde ent\u00e3o, o n\u00famero de a\u00e7\u00f5es est\u00e1 abaixo de 200 mil processos ao m\u00eas. Em 2019, o maior n\u00famero foi observado em maio (173.745).<\/p>\n<p>\u201cO lit\u00edgio respons\u00e1vel acabou diminuindo o tensionamento que existia na a\u00e7\u00e3o judicial, muitas vezes artificial. Hoje, a a\u00e7\u00e3o trabalhista, quando \u00e9 ajuizada, \u00e9 feita com mais esmero, porque o advogado e o trabalhador se preocupam em limitar o que est\u00e1 sendo pedido com o que de fato tem direito, o que melhorou a qualidade da discuss\u00e3o judicial trabalhista\u201d, diz Fernando Guedes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>Pontos da Reforma Trabalhista muito utilizados na Constru\u00e7\u00e3o Civil<\/strong><\/h2>\n<h3><strong>Demiss\u00e3o por acordo (paga metade do FGTS e da multa do FGTS)<\/strong><\/h3>\n<p>A lei permite a demiss\u00e3o mediante comum acordo entre trabalhador e empregador. O empregado recebe metade correspondente \u00e0 multa do FGTS e ao aviso pr\u00e9vio.<\/p>\n<h3><strong>Homologa\u00e7\u00e3o judicial de acordos<\/strong><\/h3>\n<p>Advogados de trabalhadores e empregadores que, ap\u00f3s o contrato de trabalho tiverem algum questionamento, podem se reunir e firmar acordo extrajudicial, que ser\u00e1 levado \u00e0 homologa\u00e7\u00e3o de um juiz para a seguran\u00e7a jur\u00eddica e o cumprimento do acordo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>Pontos da Reforma Trabalhista n\u00e3o muito utilizados na Constru\u00e7\u00e3o Civil<\/strong><\/h2>\n<h3><strong>Trabalho intermitente<\/strong><\/h3>\n<p>Contrato de trabalho em que o empregado n\u00e3o fica 100% \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do empregador. S\u00f3 presta o seu servi\u00e7o quando \u00e9 convocado por per\u00edodos espec\u00edficos. \u00c9 um instrumento que se bem utilizado pode ser interessante para a produtividade na ind\u00fastria da constru\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o pode substituir o trabalhador contratado, mas como a atividade da constru\u00e7\u00e3o \u00e9 sazonal \u2013 a necessidade de m\u00e3o de obra \u00e9 flutuante \u2013, se for bem dimensionado pode ser um instrumento interessante. N\u00e3o para substituir o trabalhador permanente, mas para que a empresa possa administrar esses picos de obras, em que h\u00e1 necessidade maior de m\u00e3o de obra, com situa\u00e7\u00f5es at\u00e9 imprevis\u00edveis\u201d, pontua Fernando Guedes.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<h3><strong>Regulamenta\u00e7\u00e3o da Terceiriza\u00e7\u00e3o <\/strong><\/h3>\n<p>Apesar de estar prevista desde o s\u00e9culo XIX \u2013 a subempreitada da constru\u00e7\u00e3o civil \u2013, a lei regulamentou esse importante instituto que n\u00e3o precariza em nada o direito do trabalhador.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h3><strong>Moderniza\u00e7\u00e3o do trabalho tempor\u00e1rio<\/strong><\/h3>\n<p>Se bem utilizado pode ser uma ferramenta important\u00edssima para a gest\u00e3o de m\u00e3o de obra na ind\u00fastria da constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>Empres\u00e1rios avaliam os dois anos da Reforma Trabalhista em suas regi\u00f5es <\/strong><\/h2>\n<h3><strong>Lit\u00edgios<\/strong><\/h3>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-43131 alignleft\" src=\"https:\/\/cbic.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Marco-Antonio.jpg\" alt=\"\" \/>\u201cHouve uma diminui\u00e7\u00e3o significativa na entrada de a\u00e7\u00f5es trabalhistas, o que fortalece o setor, por que a demanda era muito grande, principalmente na regi\u00e3o de Santa Catarina, que trabalha muito com terceirizados (empreiteiros). Com a corresponsabilidade, a lei acabou minimizando os impactos, o que vem ajudando muito o setor\u201d, menciona o vice-presidente da CBIC na Regi\u00e3o Sul, Marco Antonio Corsini.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-43132 alignleft\" src=\"https:\/\/cbic.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Alex-Carvalho.png\" alt=\"\" \/>\u00a0\u201cA mudan\u00e7a promoveu avan\u00e7os significativos. Houve um decl\u00ednio muito forte no n\u00famero de a\u00e7\u00f5es trabalhistas e a gente espera que haja uma redu\u00e7\u00e3o da estrutura da Justi\u00e7a do Trabalho que possa ser melhor aproveitada em outros segmentos do Judici\u00e1rio\u201d, diz o vice-presidente da Regi\u00e3o Norte, Alex Dias Carvalho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-43133 alignleft\" src=\"https:\/\/cbic.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Carlos-Henrique-Passos-CHIS-Foto-PH-Freitas-CBIC.jpg\" alt=\"\" \/>\u201cUm dos efeitos pr\u00e1ticos \u00e9 a quest\u00e3o dos lit\u00edgios. Houve uma redu\u00e7\u00e3o significativa da quantidade de a\u00e7\u00f5es, o que deixou de ser uma aposta\u201d, menciona o vice-presidente de Habita\u00e7\u00e3o de Interesse Social da CBIC, Carlos Henrique de Oliveira Passos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3><strong>Gera\u00e7\u00e3o de Emprego<\/strong><\/h3>\n<p>\u201cHouve maior seguran\u00e7a para o empregador, porque a legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mais como era antes. Em Santa Catarina, n\u00e3o tivemos tantos empregos na constru\u00e7\u00e3o, porque temos a quest\u00e3o ambiental e de cr\u00e9dito imobili\u00e1rio, mas acredito que t\u00e3o logo seja resolvido, a quest\u00e3o do emprego vai voltar. J\u00e1 temos quase pleno emprego em outras atividades da ind\u00fastria na nossa regi\u00e3o, mas n\u00e3o tenho d\u00favida de que \u00e9 s\u00f3 a economia dar uma reaquecida e o setor ser fortalecido que vai voltar o emprego na constru\u00e7\u00e3o civil\u201d, diz Corsini.<\/p>\n<p>\u201cEm meio \u00e0 reforma trabalhista veio um reflexo muito pesado da crise econ\u00f4mica. Ainda n\u00e3o tivemos tempo para mensurar e calibrar bem o efeito dela no Par\u00e1\u201d, comenta Alex Carvalho.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h3><strong>Seguran\u00e7a Jur\u00eddica <\/strong><\/h3>\n<p>\u201cA legisla\u00e7\u00e3o ficou mais compreens\u00edvel e trouxe a responsabilidade para o trabalhador, antes de mover uma a\u00e7\u00e3o, analisar o que est\u00e1 pedindo\u201d, assinala Corsini.<\/p>\n<p>\u201cHavia uma necessidade de se feita essa reforma. Veio para modernizar as rela\u00e7\u00f5es trabalhistas e, apesar de ainda ter algumas lacunas, hoje h\u00e1 mais seguran\u00e7a jur\u00eddica para o setor produtivo\u201d, salienta Alex Carvalho.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h3><strong>Rela\u00e7\u00f5es Sindicais<\/strong><\/h3>\n<p>\u201cNo que tange \u00e0s rela\u00e7\u00f5es sindicais, a reforma deixou algumas lacunas nesse quesito, mas estamos num processo de adapta\u00e7\u00e3o\u201d, declara Alex Carvalho.<\/p>\n<p>\u201cTanto do ponto de vista do sindicato dos trabalhadores quanto do sindicato patronal, a reforma trabalhista mexeu no modelo econ\u00f4mico de sustenta\u00e7\u00e3o do sindicato, o que tem provocado a necessidade de se reestruturar e se reposicionar para ter sustentabilidade apenas com receita volunt\u00e1ria\u201d, enfatiza Carlos Henrique<\/p>\n<p>O executivo destaca como ponto positivo para os sindicatos patronais a autenticidade de buscar nas conven\u00e7\u00f5es trabalhistas o fim da obriga\u00e7\u00e3o do trabalhador pagar contribui\u00e7\u00e3o sindical ou associativa sem sua pr\u00e9via autoriza\u00e7\u00e3o. \u201cA reforma trabalhista deu essa capacidade nas negocia\u00e7\u00f5es. J\u00e1 v\u00ednhamos enfrentando essa discuss\u00e3o na Bahia, com o sindicato dos trabalhadores, por conta de algumas autua\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio do Trabalho, que fazia o desconto em folha. Hoje, se o empregado quer pagar, ele tem que manifestar o desejo\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, para ele, a reforma trabalhista tem um buraco que \u00e9 como definir claramente as obriga\u00e7\u00f5es dos sindicatos laborais e patronais na obriga\u00e7\u00e3o de firmar uma conven\u00e7\u00e3o trabalhista para dar a cobertura daqueles que n\u00e3o pagam ao sindicato patronal e nem laboral. \u201cA gente continuou com o encargo de firmar a conven\u00e7\u00e3o, mas muitas vezes ela \u00e9 utilizada por quem n\u00e3o contribui para o sistema\u201d, aponta. Em fun\u00e7\u00e3o disso, defende uma discuss\u00e3o aprofundada sobre o assunto para ver como isso pode ter sustenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Carlos Henrique tamb\u00e9m ressalta que do ponto de vista da Lei, ainda h\u00e1 alguns desafios para o setor aprofundar conhecimento e praticar que s\u00e3o dos tipos de contratos, como o do contrato tempor\u00e1rio. \u201cAqueles tipos de trabalho fora do convencional ainda est\u00e3o sendo pouco utilizados na escala que poderiam ser e na perspectiva de gerar emprego. Talvez sejam a solu\u00e7\u00e3o para um grave problema na constru\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>Liberdade entre patr\u00f5es e empregados<\/strong><\/h2>\n<h2><strong>Negocia\u00e7\u00e3o Coletiva <\/strong><\/h2>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-43134 alignleft\" src=\"https:\/\/cbic.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Jos\u00e9-Irenaldo-Jord\u00e3o-Quintans.jpg\" alt=\"\" \/>A reforma trabalhista conferiu maior liberdade na rela\u00e7\u00e3o entre patr\u00f5es e empregados. Claro que a gente vai ter que usar essa liberdade. Um passo foi dado em dire\u00e7\u00e3o a conferir maior responsabilidade entre as partes\u201d, ressalta o vice-presidente da Regi\u00e3o Nordeste, Irenaldo Quintans.<\/p>\n<p>\u201cTivermos recentemente o fechamento da primeira conven\u00e7\u00e3o coletiva em Jo\u00e3o Pessoa\/PB, ap\u00f3s a reforma trabalhista e percebemos que a reforma trouxe empoderamento das rela\u00e7\u00f5es entre patr\u00f5es e empregados. A gente ficou mais livre para negociar com os trabalhadores e eles conosco. A reforma trabalhista concedeu liberdade e desengessou o v\u00ednculo empregat\u00edcio, de modo que as partes conseguem modular um contrato de trabalho ou uma forma de se relacionar laboralmente que seja satisfat\u00f3ria para ambas as partes\u201d, menciona Irenaldo Quintans.<\/p>\n<p>\u201cO grande avan\u00e7o foi conferir mais for\u00e7a ao que se negocia entre as partes, entre os trabalhadores e os empregados. Entendo que n\u00e3o h\u00e1 parte fr\u00e1gil ou forte. S\u00e3o duas partes que se completam. Dois elos de uma mesma corrente. E n\u00e3o h\u00e1 corrente mais forte que o seu elo mais fraco, ent\u00e3o \u00e9 nosso interesse de que todos os elos sejam fortes\u201d, completa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>(Imagem: Nexo Jornal)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passadas as expectativas iniciais do governo \u2013 de combater o desemprego e a crise econ\u00f4mica no Pa\u00eds \u2013, o setor da constru\u00e7\u00e3o, por meio da Comiss\u00e3o de Pol\u00edtica de Rela\u00e7\u00f5es Trabalhistas (CPRT) da C\u00e2mara Brasileira da Ind\u00fastria da Constru\u00e7\u00e3o (CBIC), avalia os dois anos de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":10,"featured_media":5399,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[65,115],"tags":[70],"class_list":["post-5400","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agencia-cbic","category-politicas-trabalhistas-agencia-cbic","tag-reforma-trabalhista"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.3 - 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