{"id":35900,"date":"2019-05-10T18:15:31","date_gmt":"2019-05-10T21:15:31","guid":{"rendered":"https:\/\/cbic.org.br\/?p=35900"},"modified":"2019-05-10T18:15:31","modified_gmt":"2019-05-10T21:15:31","slug":"artigo-velhos-paradigmas-barreiras-ao-crescimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cbic.org.br\/obras-industriais\/2019\/05\/10\/artigo-velhos-paradigmas-barreiras-ao-crescimento\/","title":{"rendered":"Artigo: Velhos paradigmas, barreiras ao crescimento"},"content":{"rendered":"<p><em><strong><img decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-35906\" src=\"https:\/\/cbic.org.br\/obras-industriais\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2019\/05\/WhatsApp-Image-2019-05-10-at-18.13.50-150x150.jpeg\" alt=\"\" \/><\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>S\u00e9rgio Azevedo<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>CEO \u2013 Dois A Engenharia e Tecnologia Ltda.<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Vice-Presidende de Obras Publicas Sinduscon-RN<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Costumo dizer que um dos grandes problemas do Brasil \u00e9 o excesso do patrulhamento do Estado nas a\u00e7\u00f5es da iniciativa privada.<\/p>\n<p>Vivemos em um Pa\u00eds que criminaliza o lucro e cria obst\u00e1culos para a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, pois se a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica se transformar em ganho de produtividade e, por via de consequ\u00eancia, em redu\u00e7\u00e3o de custos para a empresa, os \u00f3rg\u00e3os fiscalizadores buscam alguma forma de caracterizar, este ganho de produtividade, como se fosse superfaturamento, o que, no meu entendimento, n\u00e3o \u00e9 correto.<\/p>\n<p>Vejamos o caso das obras p\u00fablicas. Existe um entendimento que a lei de licita\u00e7\u00f5es (8.666) seria feita para beneficiar o Estado e que o crit\u00e9rio de menor pre\u00e7o, do engessamento de pre\u00e7os unit\u00e1rios e da limita\u00e7\u00e3o de BDI nos or\u00e7amentos seria \u201ca salva\u00e7\u00e3o da lavoura\u201d, que toda a corrup\u00e7\u00e3o iria acabar e que as obras seriam contratadas a pre\u00e7os justos. Nesse cen\u00e1rio perfeito, o Estado gastaria menos e as obras seriam conclu\u00eddas nos prazos corretos, transformando aquele investimento p\u00fablico em benef\u00edcio \u00e0 sociedade. Ledo engano.<\/p>\n<p>Os processos licitat\u00f3rios baseados na lei 8.666 geram, atualmente, propostas de ades\u00e3o, uma vez que n\u00e3o \u00e9 dado \u00e0 empresa o direito de estudar tecnicamente a obra e construir o seu pr\u00f3prio or\u00e7amento, apresentando o pre\u00e7o de acordo com a estrutura de custo da empresa. Adotemos o seguinte exemplo: Em uma licita\u00e7\u00e3o, caso a empresa encontre e coloque em sua proposta um pre\u00e7o, encontrado com base nas suas produtividades e na sua estrutura de custo, em um item, superior ao valor estabelecido como sendo o limite de pre\u00e7o unit\u00e1rio pelo poder p\u00fablico, a empresa ser\u00e1 desabilitada, mesmo que, adotando o mesmo crit\u00e9rio de utiliza\u00e7\u00e3o das produtividades e estrutura de custos da Empresa, sejam apresentados pre\u00e7os inferiores em todos os demais itens da planilha e que resultem em pre\u00e7o global final inferior ao estabelecido pelo \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>O mesmo ocorre com o BDI. Cada empresa tem sua estrutura de custo e metodologia de or\u00e7amenta\u00e7\u00e3o. Uma simples modifica\u00e7\u00e3o de conceito do que \u00e9 Custo Direto e Custo Indireto pode significar mudan\u00e7as radicais no valor atribu\u00eddo como BDI! J\u00e1 vi muita obra, na iniciativa privada, com BDI superior a 50%, dar preju\u00edzo. Basta que os prazos para execu\u00e7\u00e3o sejam dilatados e a empresa tenha que pagar os custos de manuten\u00e7\u00e3o de canteiro por mais meses que os previstos, ou ainda, obra pequena que requer estrutura de mobiliza\u00e7\u00e3o grande! BDI elevado n\u00e3o pode e n\u00e3o deve ser indicador de que h\u00e1 sobrepre\u00e7o, muito menos em obras p\u00fablicas quando, na quase totalidade das vezes, as obras tem seu prazo dilatado por falha e\/ou omiss\u00e3o do Estado, quer seja porque n\u00e3o providenciou os projetos, licen\u00e7as e\/ou alvar\u00e1s, como tamb\u00e9m, e mais comumente, por n\u00e3o conseguir honrar, de forma minimamente pontual, com os pagamentos devidos \u00e0s empresas pela execu\u00e7\u00e3o das obras.<\/p>\n<p>Um recente estudo da CBIC constatou que existe um total de 4.669 obras que integravam o Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC) e que estavam paralisadas em junho de 2018. O levantamento da CBIC e do Senai tamb\u00e9m identificou que entre as principais causas da paralisa\u00e7\u00e3o das obras do PAC \u00e9 comum encontrar problemas com o projeto de engenharia, pend\u00eancia operacional \u2013 como atraso em pagamentos e na presta\u00e7\u00e3o de contas \u2013 e falhas na licita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil falar desses assuntos de forma did\u00e1tica sem ser prolixo. Precisamos sempre ser repetitivos para que possamos ser entendidos. Considerando que n\u00e3o se trata de um documento t\u00e9cnico, me limito a utilizar esse espa\u00e7o para deixar o alerta de sempre: O <u>menor<\/u> pre\u00e7o nem sempre \u00e9 o <u>melhor<\/u> pre\u00e7o. A moderniza\u00e7\u00e3o da lei das licita\u00e7\u00f5es tem que encontrar um forma de dar \u00e0s empresas a liberdade de construir seus or\u00e7amentos e apresentar suas melhores propostas de pre\u00e7os com base nos Editais, que dever ser completos, e o poder p\u00fablico tem que se atualizar e capacitar, ainda mais, formando comiss\u00f5es julgadoras ainda mais competentes. Tal provid\u00eancia urge, para que tais comiss\u00f5es possam, al\u00e9m de lan\u00e7ar um Edital completo, com projetos executivos e planilhas de quantitativos fidedignas, com pre\u00e7os b\u00e1sicos atualizados, saber decidir, com crit\u00e9rios e pesos objetivos, quais propostas s\u00e3o ou n\u00e3o exequ\u00edveis. Precisa ainda garantir o pagamento das faturas em dia, sob pena de comprometer o equil\u00edbrio econ\u00f4mico-financeiro do contrato.<\/p>\n<p>Quanto mais o crit\u00e9rio de julgamento para contrata\u00e7\u00e3o de Obras e Servi\u00e7os, por parte do Poder P\u00fablico, se aproximar da forma de contrata\u00e7\u00e3o da empresas Privadas, mais retorno o Poder P\u00fablico dar\u00e1 \u00e0 Sociedade e menos trabalho ter\u00e3o os \u00d3rg\u00e3os Fiscalizadores, que cada vez mais dever\u00e3o se limitar a olhar o custo total e a efetiva aplica\u00e7\u00e3o dos recursos com a constata\u00e7\u00e3o da conclus\u00e3o da obra com qualidade e seu benef\u00edcio para a Sociedade, identificando com facilidade, quando houver, onde residiu o desvio do previsto x realizado e, em assim o fazendo, podendo encontrar, de forma clara, quem foi o causador do desvio, se Contratante ou Contratada, para que possa, o causador do eventual preju\u00edzo responder de acordo com a legisla\u00e7\u00e3o aplic\u00e1vel.<\/p>\n<p>Nessa linha, a Comiss\u00e3o de Infraestrutura da CBIC lan\u00e7ou, recentemente, um documento intitulado <strong><u>Fechando as Janelas da Corrup\u00e7\u00e3o<\/u><\/strong>, onde apresenta os riscos e prop\u00f5e solu\u00e7\u00f5es para mitig\u00e1-los, na fase pr\u00e9via e durante a licita\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m ajuste nas minutas de contrato com o poder p\u00fablico.\u00a0 Esse material est\u00e1 dispon\u00edvel no site da CBIC, o qual vale uma consulta e leitura minuciosa.<\/p>\n<p>Concluo dizendo uma frase que ouvi recentemente, cujo autor n\u00e3o me recordo, \u201ca palavra inspira mas o exemplo arrasta\u201d. Que possamos inspirar e dar exemplo para arrastar o maior n\u00famero de pessoas em defesa da causa de um ambiente de neg\u00f3cios menos hostil e mais previs\u00edvel, para que possamos seguir nossa miss\u00e3o de construir a infraestrutura do nosso pa\u00eds, executando as obras e gerando os empregos necess\u00e1rios para a retomada da nossa economia. Sigamos em busca de um Brasil com menos desigualdade social e crescimento sustent\u00e1vel, al\u00e9m de uma sociedade na qual <u>a iniciativa privada seja vista como a solu\u00e7\u00e3o e n\u00e3o como o problema<\/u>. Que possamos deixar esse legado para filhos e netos.<\/p>\n<p><em><strong>*Artigos divulgados neste espa\u00e7o, n\u00e3o necessariamente correspondem \u00e0 opini\u00e3o da entidade.<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; S\u00e9rgio Azevedo CEO \u2013 Dois A Engenharia e Tecnologia Ltda. 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