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Agência CBIC

22/06/2022

Moderna e eficaz, metodologia BIM ainda tem barreiras a enfrentar no setor da construção no Brasil

Apontada por especialistas como uma das tecnologias mais modernas e eficazes para a elaboração de projetos na indústria da construção, a Modelagem de Informação da Construção, mais conhecida como BIM, está deixando de ser um desejo para se tornar uma necessidade nas empresas do setor. Essa foi a conclusão dos especialistas que conduziram, nesta quarta-feira (22), a palestra “BIM – Desafios para universalização”, durante o 94º Encontro Nacional da Indústria da Construção (Enic), o Enic | Engenharia & Negócios, promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), e que vai até esta quinta-feira (23).

Segundo o presidente da Comissão de Materiais, Tecnologia, Qualidade e Produtividade (Comat/CBIC), Dionyzio Klavdianos, que mediou o encontro virtual, “o BIM tem um grande potencial no Brasil e financiar essa inovação é um dos principais caminhos para impulsionar seu desenvolvimento”. A metodologia BIM consiste em uma série de softwares, métodos e processos utilizados para dar suporte ao longo das fases do projeto, ou seja, ele permite a gestão da informação por todo o ciclo da construção/edificação. Em outras palavras, o BIM é muito mais do que uma ferramenta de projeto; é um processo complexo de design multidimensional integrado.

De acordo com o superintendente nacional da Caixa Econômica Federal (CEF), Sérgio Rodovalho, apesar de os projetos com a tecnologia BIM ainda não serem maioria na instituição, o governo federal tem trabalhado por sua expansão por ter ciência de sua importância para a produção de projetos precisos e contemporâneos com a realidade mundial. “Temos disponibilizado ferramentas para que nossa equipe faça uso dessa tecnologia. Antes que nós recebamos o projeto, nós preparamos nossa equipe, disponibilizamos ferramentas, ou seja, temos tudo pronto para receber, analisar e acompanhar os projetos desenvolvidos em BIM”, garantiu.

O superintendente da CEF disse ainda que a instituição criou o Selo Azul Caixa Municípios, a ser entregue para as regiões que adotam a metodologia BIM na produção de seus projetos, como forma de incentivar a adoção do método. “Incentivamos nossos clientes a fazer uso da ferramenta BIM porque os benefícios são infindos, como qualidade da informação, análise aprofundada. Os ganhos são indiscutíveis”, frisou Rodovalho. Ele citou os decretos editados pelo Executivo federal em incentivo à utilização da tecnologia, como o Decreto 9.983/2019, que trata dos padrões neutros de interoperabilidade BIM; o Decreto 10.306/2020, que estabelece  o uso do BIM como um padrão a ser utilizado na execução de obras do governo federal; e nova Lei de Licitações 14.133/2021, que prevê preferência da metodologia BIM nas licitações públicas. “Ou seja, são três marcos legais que o governo federal pensa ser adequado”, acrescentou.

Desafios para universalização do BIM

Sobre os desafios para a universalização do BIM, o engenheiro civil Rodrigo Koerich, da AltoQi Tecnologia em Informática, lembrou que a ferramenta não é um tema novo no mercado da construção civil, apesar de sua implementação estar sendo estimulada apenas nos últimos anos. Para o especialista, um dos principais desafios da metodologia é fazer com que ela “não morra” na fase do projeto. “Temos visto um avanço bastante importante na utilização do BIM no Brasil. É evidente o ganho que o método vem trazendo para o setor, mas infelizmente ele ainda está morrendo na fase do projeto. O setor construtor ainda não conseguiu manter vivo esse modelo e, por conta disso, muito do que poderia estar sendo feito, não está avançando”, explicou.

Ainda de acordo com Rodrigo Koerich, um dos principais caminhos para cessar com essa cultura de ‘abandono do BIM’, é envolver o profissional projetista em todas as fases do processo, e não somente na sua elaboração. “Precisamos promover o avanço do BIM, fazer com que construtoras, colaboradores, governo mantenham vivo esse ‘meio do projeto’. E, para isso, precisamos ultrapassar a barreira dessa cultura de abandonar o uso da metodologia. Temos que focar no processo porque, hoje, o projeto é contratado para morrer, não para ser utilizado durante a obra. E,  para ele continuar sendo vivo, temos que envolver seu projetista em todas as etapas”, enfatizou.

Já o diretor da Farkasvölgyi Arquitetura, Bernardo Farkasvölgyi, lamentou que o setor da construção civil ainda seja “muito resistente” ao uso do BIM, mas destacou que essa realidade tem sido mudada nos últimos anos, mesmo que a passos lentos. “A engenharia ainda está deficiente para trabalhar com essa tecnologia, mas as empresas do setor estão buscando mudar essa realidade”, frisou. O profissional pontuou ainda o alto custo, para as empresas instalarem os softwares necessários para o funcionamento do BIM e defendeu que a aquisição dessa metodologia seja menos onerosa no país. “O preço para instalar os softwares ainda é alto e isso precisa ser reavaliado para expandir sua utilização. Afinal, o BIM deixou de ser um desejo para se tornar uma necessidade”, assegurou.

O 94º Enic é realizado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e conta com a correalização do Sesi, Senai e patrocínio do Sebrae, Confea, Mútua, AltoQI, SoftwareONE, CV, Sienge e Caixa Econômica Federal.

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