Ética e compliance: uma questão de sobrevivência para as empresas do setor da construção | CBIC

Ética e compliance: uma questão de sobrevivência para as empresas do setor da construção

Especialistas demonstram a empresários de Pernambuco a importância da ética e do compliance nas organizações e os cuidados necessários para o ambiente de negócio das empresas que constroem o País

Na Indústria da Construção, como em qualquer outra, no Brasil ou em algum lugar do mundo, há pessoas boas e ruins, experientes ou aprendizes, trabalhadoras ou oportunistas. Pensando nisso, em 2015 a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) assumiu o desafio de falar sobre ética e compliance com todas as empresas do setor. Nesta semana foi a vez dos empresários do setor da construção de Pernambuco discutirem o tema com especialistas no Seminário Ética e Compliance para uma Gestão Eficaz. Para a CBIC, falar sobre ética e compliance é falar sobre futuro, integridade, escolha, caminhos e aprendizados. Em vídeo produzido sobre o tema, a entidade destaca que “o Brasil está mudando. A política do eu faço assim, porque todo mundo faz, está com os dias contados. Em um sistema corrupto, todos perdem. Falar sobre ética é urgente e compliance não é mais um diferencial competitivo, mas uma questão de sobrevivência”. Durante o evento foram apresentadas as publicações criadas pela CBIC com o objetivo de instrumentalizar a gestão de compliance nas organizações do setor.

O doutor em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB), Leonardo Barreto, especialista em comportamento eleitoral e instituições políticas e um dos palestrantes do evento, falou sobre o Guia de Ética & Compliance para Instituições e Empresas do Setor da Construção e o Código de Conduta Concorrencial elaborados pela CBIC e pelo Sesi Nacional. Leonardo Barreto alertou sobre a importância dos empresários estarem atentos à integridade e à reputação de suas empresas. Segundo o especialista, acertar o comportamento passou ser um desafio em um mundo onde todos são anônimos provisórios. “Não só atitudes decorrentes de má-fé, mas também erros involuntários estão sujeitos a leituras negativas a partir de seu registro”, lembrou.

Para o cientista político, a inclusão da gestão de reputação no plano de negócios da empresas é fundamental, porque ela representa custo e valor. Destacou que no Manual de Ética e Compliance, a CBIC ressalta a importância das empresas preverem, dentro do seu plano de negócios, gestão de reputação, prevenção de crises e remediação, e que a mesma deve estar dentro do planejamento estratégico, com atenção especial para sua avaliação e possível plano de ação.  Leonardo Barreto citou ainda que no manual, a CBIC teve o cuidado de não estabelecer um modelo, porque hoje não há um padrão universal que possa ser replicado, mas indicações do que deve ser observado quando as empresas estiverem criando seus modelos.  Além disso, ressaltou que a estrutura de compliance tem custo, o que é um grande desafio para as pequenas empresas do setor. Por isso, mencionou o papel fundamental do sindicato na coordenação desse processo, até como forma de diluir os custos, por meio, por exemplo, de treinamentos.

O presidente do Instituto Não Aceito Corrupção, doutor em Direito pela Faculdade de Direito da USP e promotor de Justiça da Procuradoria de Interesses Difusos e Coletivos do Ministério Público do Estado de São Paulo e autor de “Corrupção: incluindo a nova Lei Anticorrupção”, Roberto Livianu, parabenizou a iniciativa da CBIC de discutir o tema com as empresas do setor da construção. Ressaltou que uma conduta é correta ou incorreta não pelo parâmetro utilizado por todos, mas se obedece ou não a um código. Lembrou que a sociedade não quer o uso abusivo do poder. “Não queremos que haja desequilíbrio de forças. Quando há dinheiro não contabilizado, há uma lesão à concorrência”. Destacou também a fala do economista Gesner Oliveira, da GO Associados, de que quando a concorrência é comprometida há um dano ao direito econômico. Por fim, ressaltou que quando se fala de ética e compliance é importante estar atento a dois pontos fundamentais: concentração de poder e transparência. “Para o combate à corrupção, precisamos desconcentrar o poder e ter transparência. O poder absoluto corrompe”, disse. Mencionou ainda que é preciso acabar com a impunidade. “A impunidade é um convite à corrupção”.

O promotor de Justiça de Pernambuco e coordenador do Centro de Apoio às Promotoras de Defesa de Patrimônio Público e Social e nas 16ª e 17ª Promotorias de Defesa do Consumidor de Recife, Maviel de Souza Silva, também destacou a importância da ação do setor da construção. “A adoção do programa da CBIC, com apoio do Sinduscon-PE incentivando o setor Pernambucano, é fundamental principalmente para as empresas que se relacionam com o setor público”.

Em Pernambuco, o Seminário Ética e Compliance para uma Gestão Eficaz foi realizado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Pernambuco (Sinduscon-PE) no último dia 18 de abril, em sua sede, em Recife (PE). Promovido pela CBIC e pelo Sesi Nacional, o evento foi realizado com apoio da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco (Ademi-PE), da Associação das Empresas de Obras de Pernambuco (Aeope), do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Pernambuco (Crea-PE), da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), do Sindicato da Habitação (Secovi-PE), do Sindicato dos Engenheiros no Estado de Pernambuco (Senge-PE) e do Sindicato da Arquitetura e da Engenharia (Sinaenco-PE). O seminário já passou por Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ), São Luís (MA), Porto Alegre (RS), João Pessoa (PB), Belém (PA) e Recife (PE). Os próximos serão realizados em São Paulo (SP), Maceió (AL) e Fortaleza (CE). Clique a seguir para acessar o manual, o vídeo e as fotos do seminário.

 

“O evento veio a calhar. É preciso virar a página. Temos pregado diuturnamente no Sinduscon-PE que a regra do jogo mudou e que a gente vai ter que se adaptar. Infelizmente mudou a regra, mudou o campo, mas não mudaram os jogadores e o tempo de jogo. Vamos ter que fazer essa “translação” para um novo momento, da melhor forma possível. A CBIC entendeu isso e está transmitindo aos seus associados e empresas do setor. Não adianta entender a prática passada. Temos que entender o compliance como uma nova fase e a CBIC assumiu esse papel”, destacou o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Pernambuco (Sinduscon-PE), José Antônio Alvarez de Lucas Simón.

“A sociedade brasileira clama por mudanças e a proposta da CBIC, com esse projeto, é justamente um novo modelo de ação empresarial, com uma conduta empresarial responsável, a fim de apoiar o setor e o Brasil nesse novo momento. Vivemos um modelo muito concentrador em que as grandes e principais obras estavam nas mãos de poucas empresas. A ideia da CBIC é tentar romper esse modelo para que todas as empresas, inclusive as pequenas e médias, possam participar do processo construtivo. Mas essa defesa não é nova. A CBIC sempre defendeu o melhor para o Brasil. Criou um código de ética referencial em 1992; publicou a Carta de Belo Horizonte em 1991; atuou na criação da Lei 8.666/93, além de representar um setor pulverizado, sempre foi pioneira e propôs diversos programas para a melhoria da vida das pessoas, como o Programa Minha Casa, Minha Vida (PMCMV) e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)”, registrou a presidente do Fórum de Ação Social e Cidadania (Fasc) da CBIC, Ana Claudia Gomes.

“O seminário foi o pontapé inicial para que as empresas pernambucanas acreditem que é preciso pensar nessa nova cultura de ética e compliance para suas obras. O evento mostra a nossa preocupação com o tema. Não fazemos parte dessa farra atual, mas sofremos as suas consequências. É preciso quebrar esse paradigma. Vamos acreditar no Brasil”, disse a vice-presidente da CBIC e diretora de Assuntos Imobiliários, Obras Privadas e Instalações, Maria Elizabeth Cacho do Nascimento (Betinha).